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Bancos centrais em estado de emergência
4 Dezembro 2008

O Banco Central Europeu decidiu realizar o maior corte de taxas de juro da sua história, como notícia a Bloomberg, ao mesmo tempo que o Banco de Inglaterra colocou as suas taxas em apenas dois por cento, o valor mais baixo em mais de meio século.
O sentido de urgência dos bancos centrais perante a crise já não surpreende e o mais provável é que novos cortes de taxas aconteçam durante os próximos meses. Ontem, os líderes dos Governos da UE, conscientes das dificuldades em implementar um plano conjunto de estímulo orçamental que seja efectivo, já tinham apelado para que “a política monetária leve em conta a circunstância de uma recessão económica”, como revela a Reuters. Willem Buiter, num artigo de opinão no Financial Times não faz as coisas por menos e pede, tanto ao BCE como ao BoE que coloquem já as suas taxas de juro a zero. A teoria é a de que, com as economias a entrarem em recessão profunda, não há quealquer vantagem em estar a “guardar munições para mais tarde”. Kenneth Rogoff, num artigo publicado no The Guardian concorda que, mais tarde ou mais cedo, as taxas de juro na Europa, tal como já acontece nos EUA e no Japão, terão de se aproximar de zero. E aconselha: um pouco de inflação, nesta fase, até seria positivo para que o Mundo pudesse enfrentar as dívidas que acumulou.

Ajudas do Estado para todos os gostos
Do lado da política orçamental, a prioridade parece estar, agora, na ajuda ao sector automóvel. E também em Portugal. O plano de ajuda do ministro Pinho, que não quis ficar atrás do aval dado pelos seus colegas das Finanças ao BPP, passa por pagar 80 por cento dos salários através de formação profissional e pela proibição dos despedimentos até às eleições, como noticia o Público.
Na França, como revela o Le Monde, Sarkozy anunciou o seu plano de ajuda à economia, que fica distante do que foi proposto pela Comissão Europeia.
E nos EUA, à medida que o tempo vai passando e a crise agravando-se, pede-se mais dinheiro do Estado para estimular a economia. O plano da Administração Obama poderá vir a contar, diz a Bloomberg, com um valor superior a 1000 mil milhões de dólares.

O efeito da crise na ciência económica
Cinco economistas – João Ferreira do Amaral, Manuel Branco, Sandro Mendonça, Carlos Pimenta e José Reis – escreveram um artigo, hoje reproduzido no Ladrão de Bicicletas, sobre o estado da ciência económica, em que defendem que “esta crise é também um colapso teórico, uma falência de um modo de ver”.

— e.conomia.info

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