O insustentável peso da política económica alemã
10 Março 2010
Martin Wolf tem hoje um dos melhores artigos dos últimos tempos sobre a situação económica europeia. Não há volta a dar: não haverá consolidação orçamental e crescimento nos países do Sul sem que a Alemanha os ajude a recuperarem posições externas mais favoráveis. Escreve o colunista do FT: “Os superavits estruturais externo e do sector privado na Alemanha tornam totalmente impossível que os seus vizinhos eliminem os défices orçamentais, a não ser que os últimos estejam dispostos a viver com uma longa crise”.
Cacofonia europeia sobre regulação e fundo monetário europeu
Começa a ser difícil acompanhar o que se vai passando na Europa relativamente a legislação contra especulação e à criação de um fundo monetário europeu.
Sobre o ataque aos especuladores, parece haver algum alinhamento no eixo franco-alemão sobre limitação de utilização de alguns tipos de contratos de derivados, escreve o FT. No mesmo artigo fica, no entanto, bem evidente as divergências quanto à criação do FME: Axel Weber, do Bundesbank é contra, Merkel diz que será preciso alterar o Tratado da UE. Os franceses apoiam.
Barroso também diz que a criação do FME obriga a alterações ao Tratado da UE
OCDE elogia PEC português
A OCDE elogiou o PEC português, escreve o Negócios mas avisa que o Governo deveria avançar com medidas mais concretas de controlo da despesa. No relatório “Going for Growth”, os economistas da instituição avisam ainda que a crise retirou crescimento potencial à economia portuguesa
Tavares Moreira diz que o PEC é o fim de todas as ilusões que foram vendidas aos portugueses nos últimos anos.
Argumentos a favor da taxa de inflação de 4%
Olivier Blanchard, o economista-chefe do FMI, defendeu o aumento do objectivo de taxa de inflação de 2% para 4%. Os banqueiros centrais, especialmente o BCE, contra-atacaram classificando a proposta de errada e perigosa. No VOX economista do FMI defende a posição e apresenta investigação que diz provar que a perda de “output” na década perdida do Japão poderia ter sido 50% inferior. Isto porque com uma taxa de inflação mais elevada, teria sido possível ter uma taxa de juro mais elevada, o que, em momentos de crise, daria mais espaço de actuação da política económica.
— e.conomia.info
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