OE português garante credibilidade financeira? Esta é a pergunta que corre o mundo
26 Janeiro 2010
A apresentação do OE português é noticiada hoje pelo jornal francês Le Monde numa peça que revela a forma como o documento será visto no exterior: será que as manterá a credibilidade financeira do país?
Também a Bloomberg diz que Portugal vai tentar mostrar que não é a grécia.
Mas vai governo ter sucesso?
O Ministro das Finanças garante que sim. Ontem, Teixeira dos Santos anunciou uma consolidação “significativa” já este ano. O Económico garante que o corte de défice será feito à custa de corte de investimento – noticia que já vinha sendo noticiada durante a semana passada – e da moderação salarial na função publica.
A banca será mais taxada em sede de IRC e poderá esperar também tributação sobre os prémios revelou ontem Jorge Lacão, o ministro dos Assuntos parlamentares, como escreve o Negócios.
Espanha vai avançar com plano ambicioso de austeridade orçamental
O governo espanhol deverá avançar com um plano ambicioso de austeridade orçamental já em 2010, escreve o El País . Serão menos 50 mil milhões de euros em três anos. Por ano, Espanha gasta 330 mil milhões de euros.
Gregos emitem divida pública com sucesso
Não é impressionante, mas não deixa de ser uma boa notícia para a Grécia, coisa que tem escasseado. Ontem o país emitiu com sucesso obrigações a cinco anos, num montante de 8 mil milhões de euros, escreve a Bloomberg. A taxa de juro essa, foi bem genenerosa: 30 pontos base acima da média das obrigações já existentes.
O problema não é só os bancos serem demasiado grandes para falir é também estarem demasiado interligados
Daniel Gros, do Centre for European Policy Studies, escreve que a recente crise mostra que não é só a dimensão dos bancos que se assume como um importante desafio às autoridades quando lidam com o sistema financeiro. O problema da interligação entre eles é também um problema de monta, que exige actuação sobre a contabilização dos derivados, pelo menos nos EUA. A ler no VOX
Emigrantes criam exportações
Num momento de grande incerteza sobre a evolução do comércio internacional dois jovens economistas das universidades da Califórnia e da Valência defendem que a emigração pode gerar comércio externo. No caso de Espanha criou mesmo. O artigo pode ser lido no VOX e defende que a duplicação no número de emigrantes pode fazer crescer 10% as exportações para o país de origem.
— e.conomia.info
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«Deixem-me descolar» T. dos Santos dixit…
Teixeira dos Santos previa em Novembro de 2009 um défice 5,9. realidade 9,3 !!!
Por outro lado os juros da dívida grega dispararam após alerta da UE e arrastam Portugal segundo noticia o Jornal de Negócios de hoje.
Alguém acredita que em 2010 com a actividade económica praticamente congelada – PIB c/ crescimento real próximo de zero – e a continuação da rigidez da despesa pública, o defice se fique pelos 8,3 % ? Nem por milagre…
Teixeira dos Santos apela às agências de rating – aquelas que valem o que valem, mas que acabam por fixar os prémios de risco da dívida – para não nos colarem à Grécia. Esquece-se que o deficite triplicou num ano !
Haverá verdadeiramente uma política de contenção sustentada por um acordo político efectivo, ou continuaremos com o habitual descontrolo da despesa pública de há mais de uma década? Além disso a receita fiscal atingiu o tecto máximo, não tem margem para crescer mais!
Igualmente questionável, é o facto de uma parte muito substancial da poítica económica estar fora do orçamento, casos do TGV, construção de novos hospitais e do futuro aeroporto. Isto vai projectar o significativo aumento da dívida pública no futuro e logo os encargos orçamentais futuros com o serviço dessa dívida.
Teixeira dos Santos bem pretende descolar, mas a realidade não o deixa…
— A. Pereira · 27 Janeiro 2010, 18:45 · #