Défices públicos: devemos preocupar-nos ou amá-los
4 Novembro 2009
A sustentabilidade das finanças públicas voltou, com a crise, a estar no centro do debate económico e, ontem, com a apresentação das previsões da Comissão Europeia, a dimensão do problema ficou ainda mais à vista. Os economistas dividem-se entre os que temem os efeitos deste aumento do endividamento público e aqueles que dizem que é mais uma solução que um problema.
Antonio Fatás no blogue que partilha com Ilian Mihov, defende a importância dos governos assumirem quanto antes estratégias de saída para a situação orçamental. Fatás parte da análise às contas públicas publicada ontem pelo FMI (disponível aqui) para avisar sobre os desafios que a situação coloca: os níveis de dívida são altos, mas geríveis, desde que os governos não se esqueçam da importância da consolidação.
“Devo esquecer o défice e começar a amá-lo?”: esta é a tradução livre do texto de Megan McArdle na The Atlantic onde escreve sobre os desafios que os elevados défices orçamentais colocam aos EUA. Sem uma leitura alarmistas defende que se os actuais défices são aceitáveis, o mesmo já não se pode dizer para 2019. Cita Krugman que diz que os mercados não estão preocupados, rebatendo as conversas que tem com operadores do mercado obrigacionista.
Em relação a Portugal, para onde a Comissão já antecipa uma dívida pública superior a 90 por cento do PIB, José Silva Lopes mantém uma visão pessimista sobre a evolução da economia portuguesa e hoje mostrou-se particularmente preocupado com o desequilíbrio externo acumulado, mas também com o défice público. Como reproduz o Negócios, o economista avisa que
“a bomba da dívida externa pode rebentar a qualquer altura” e defende que o actual volume de dívida pública “é insustentável”.
Nobel contra Nobel (em torno do keynesianismo)
Ainda em torno da questão da despesa pública, Paul Krugman critica Edmund Phelps: um autêntico choque de titãs sobre o regresso das teorias keynesianas. Num recente artigo, Phelps tinha dito que os keynesianos estão de volta e, com eles, a ideia de que o aumento de despesa pública é a melhor solução para todas as crises de crescimento. Krugman refuta e diz que “ninguém, mas ninguém” defende o que Phelps diz. O Nobel de 2008 explica ao Nobel de 2006 que o que se defende é que, com uma economia em depressão e com taxas de juro próximas de zero (limitando o espaço da política monetária), o aumento da despesa pública é das armas mais eficazes de politica económica. E termina dizendo: “poderíamos pensar que a pior crise económica desde os anos 30, uma crise que não deveria ter acontecido segundo os modelos não-keynesianos, geraria pelo menos alguma curiosidade intelectual. Mas não”.
O fim do rei dólar? Pouco provável
Carles Wyplosz escreve no Telos sobre a possibilidade de o dólar perder a hegemonia enquanto moeda de reserva mundial. Wyplosz entende que o euro e a Zona Euro dificilmente se conseguirão impor aos EUA e ao dólar. Por outro lado a ideia de criar uma moeda de reserva internacional (um cabaz de moedas contra os direitos de saque do FMI) é demasiado complexa para implementar. O fim do reinado do dólar parece estar longe.
Desemprego acima dos 20% em Espanha
É uma das previsões mais preocupantes feita pqla Comissão Europeia ontem: o desemprego em Espanha deverá ficar acima dos 20 por cento até 2011, como escreve hoje o El País.
Protecção do Estado a bancos demasiados grandes para falir é proteccionismo injusto e deveria ser analisado na OMC
Simon Johnson, no Baseline Scenário entra na discussão sobre o que fazer aos bancos demasiado grandes para falir. Contrapõe os argumentos de Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank e porta voz da industria – que se opõe à ideia de que sequer haja bancos demasiados grandes – com a de Thomas Hoenig, um regulador norte-americano – que avisa que não há qualquer vantagem nos grandes bancos, antes pelo contrário. Johnson, que foi economista chefe do FMI, toma o lado de Hoenig e defende que as garantias implícitas dos Estados ao bancos grandes são uma forma injusta de proteccionismo. Como tal deveria ser regulada pela Organização Mundial de Comércio. E aí as teses de Ackermann dificilmente levavam a melhor, defende.
— e.conomia.info
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