A recuperação chega mais cedo, mas chega lenta
3 Novembro 2009
A Comissão Europeia reviu hoje em alta as previsões de crescimento para a Europa e para Portugal, o que justifica com melhoria das condições externas, da situação no mercado financeiro e com os fortes estímulos orçamentais e monetários do último ano. A Zona Euro deverá contrair 4% este ano e crescer 0,75% e 1,5% em 2010 e 2011. Portugal irá contrair 2,9% este ano, devendo crescer apenas 0,3% e 1% nos dois anos seguintes, o que coloca a economia nacional a divergir novamente da Zona Euro.
A recuperação chega lenta devido à fragilidade das economias e dos seus sistemas financeiros, ao fraco crescimento do emprego e aos elevados níveis de endividamento público (e no caso português também privado).
O Negócios tem um bom resumo das previsões para Portugal salientando que o rácio da dívida pública sobre o PIB ultrapassará os 90% do PIB em 2011. O jornal salienta ainda que o défice orçamental deverá chegar aos 8% este ano e que o desemprego não ultrapassará os 10%
O Económico salienta as declarações de Joaquín Almunia, que diz que Portugal precisa de delinear uma estratégia de médio prazo para a consolidação orçamental.
O relatório da Comissão Europeia pode ser obtido aqui . O capítulo sobre Portugal está aqui
O desemprego em Espanha continua a disparar e já está no nível máximo de dez anos, escreve a Bloomberg
Roubini diz que juros baixos nos EUA estão a gerar uma bolha que irá rebentar
Num texto de opinião no FT Nourile Roubini comenta um dos últimos desenvolvimentos nos mercados mundiais. A taxa de juro próxima de zero nos EUA está a gerar o que se chama de “carry trade”, ou seja, os investidores pedem emprestado em dólares (a taxa de juro muito baixa) e investem noutras moedas (a taxas de juro mais elevadas). Roubini diz que se está a criar a “mãe de todos os carry trades” porque aos juros baixos se junta um dólar fraco, vaticinando que se está a criar uma bolha que “inevitavelmente irá rebentar”. Deixa três cenários: ou o dólar deixará de cair; ou a Fed subirá juros; ou regressará mais volatilidade ao mercado de capitais.
Podem os EUA ir à falência?
Robert Samuelson reflecte no Washington Post sobre a possibilidade dos EUA poderem ir à falência. Um risco que aumenta com os crescentes níveis de endividamento publico.
Os economistas vão mudar os seus modelos?
Segundo o Wall Street Journal a crise vai forçar os economistas a mudarem de paradigmas em termos de modelização económica. O jornal dá destaque às teorias de John Geanakoplos da Universidade de Yale, que se foca na importâncias dos colaterais na formação de bolhas de crédito. As duas grandes alterações de paradigma na teoria económica ocorreram nos anos 30, após a Grande Depressão, e nos anos 70, após a estaflação.
A Ford regressa aos lucros
O mercado automóvel norte-americano, um dos mais fustigados pela crise, também começa a dar sinais de melhoria. Depois de uma restruturação, a Ford apresentou lucros trimestrais pela primeira vez desde 2005, escreve o Detroit Free Press. O New York Times diz que a empresa ainda enfrenta grandes desafios.
O presente de Paulson
Pietro Veronesi e Luigi Zingales publicaram recentemente um artigo no NBER onde defendem que o Plano Paulson aprovado no final do ano passado foi uma decisão correcta, tendo criado valor para a economia. O artigo está explicado pelo Real Time Economics onde se escreve que os dois economistas mostram que os bancos beneficiados formam a Goldman Sachs, a Morgan Stanley a Merrill Lynch e o Citigroup. O perdedor foi a JPMorgan
— e.conomia.info
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