Mais um apoiante da taxa Tobin: o ministro das Finanças alemão
25 Setembro 2009
Peer Steinbruck, o ministro das Finanças alemão, defendeu num artigo de opinião no Financial Times a criação de uma taxa global sobre transacções financeiras. Steinbruck defende que esta seria uma boa forma de pedir ao sistema financeiro que partilhe os custos da crise e que, como a taxa seria pequena e generalizada a todas as transacções, a sua criação não prejudicaria a liquidez nem criaria distorções no mercado de capitais. “Há claramente argumentos para a criação de um de imposto global sobre as transacções financeiras: seria justo, não faria mal e faria muito bem. Se houver melhores ideias para uma repartição justa do fardo [da crise], que a façam ouvir. Se não há, então criemos este imposto agora”, diz.
Políticos que defenderam a Tobin nas últimas semanas:
– Bernard Kouchner, ministro francês dos negócios estrangeiros
– David Miliband, ministro das Finanças inglês, admitiu essa hipótese (Como aliás Gordon Brown que, contudo, a classificou como de muito difícil implementação)
– Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia
– José Sócrates, primeiro ministro português
Reforma do FMI e desequilíbrios globais geram tensão no G-20. Mas essa não é a grande notícia
Segundo o Wall Street Journal os líderes mundiais do G-20 deverão acordar hoje em duas matérias que podem mudar a política económica mundial. O G-20 vai oficialmente substituir o G-8 e as economistas do grupo alargado vão passar a apresentar às restantes as suas prioridades em termos de política económica de forma a que melhor se possam coordenar as politica económicas globais. Esta pode mesmo ser a principal noticia do G-20 que hoje termina.
O Washington Post realça que esta alteração é o passo de afirmação das economias emergentes na gestão económica mundial.
O tema é também destaque no New York Times que se concentra a sua análise nas barreiras ao comércio mundial e no desafio colocado pelos desequilíbrios macroeconómicos globais, um tema que os EUA estão a colocar na agenda política internacional.
Voltando à agenda, os dossiers que estão a gerar mais tensão são a reforma na gestão do FMI e as políticas de combate aos desequilíbrios globais, escreve o Financial Times. A Europa não quer perder o poder que tem na instituição e a Alemanha não gosta que os EUA a pressionem para que fomente o seu consumo interno. A ideia é a de que com os consumidores norte-americanos entrincheirados é preciso que outros consumidores apareçam, na Alemanha, no Japão, na China e nos BRIC. Merkel, que quer crescr por exportações, não está a gostar.
Na reforma financeira parece haver acordo sobre a importância de aumentar os rácios de capital dos bancos e de relacionar os bónus com o desempenho de longo prazo das instituições, mas continua a não ser claro que soluções concretas se vão encontrar. Os líderes deverão também acordar que ainda é demasiado cedo para retirar os estímulos à economia.
Salvamento do sistema financeiro custa aos EUA três vezes mais que a segunda grande guerra
Os gastos da Administração norte-americana para salvar o seu sistema financeiro deverão andar pelos 11,6 biliões de dólares, escreve a Bloomberg que apresenta uma tabela com os custos detalhados.
Barry Ritholtz do Big Picture, a pessoa que melhor tem acompanhado os gastos da administração norte-americanana, compara este valor com os gastos em vários programas públicos da história dos EUA, para evidenciar a dimensão da despesa: a ida à Lua custou 237 mil milhões, o plano Marshal 115 mil milhões e segunda gerar mundial 3,6 biliões.
Qual a missão do FMI?
Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia, escreve na The New Nation sobre qual deve ser o papel do FMI na saída da crise. Eichemgreen, um dos críticos do Fundo, pede mais clarividência e firmeza. A reunião anual do Fundo tem lugar na próxima semana em Istambul.
Bancos centrais não devem rebentar bolhas, diz banqueiro central
Depois do FMI ter defendido que os bancos centrais têm de agir mais cedo de forma a evitar que bolhas em mercados de activos ameacem a estabilidade financeira internacional, começam a surgir as primeiras reacções dos banqueiros centrais que, na sua maioria, pensam exactamente o contrário. É o caso de Charles Evans, o presidente da reserva Federal de Chicago, como escreve o Real Time Economics
Os efeitos sócio-políticos da crise no longo prazo
Já tínhamos destacado este artigo na newsletter semanal (aqui), mas agora os próprios autores fazem o seu resumo no Vox. Em suma: “os indivíduos que crescem durante recessões tendem a acreditar que o sucesso na vida depende mais da sorte do que do esforço, apoiam mais redistribuição pelos governos, mas são menos confiantes nas instituições públicas”, escrevem Paola Giuliano e Antonio Spilimbergo
— e.conomia.info
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