As incógnitas no G-20 à medida que a crise abranda
23 Setembro 2009
EUA e Alemanha estão novamente em desacordo sobre as prioridades nesta fase da crise. O governo de Merkel quer que a reunião que começa amanhã se centre na reforma financeira e no desenho de novos sistemas de bónus. Obama e a sua administração quer que as conclusões mencionem também o empenho dos líderes mundiais em tentar corrigir os desequilíbrios globais, escreve o FT. Os EUA pretendem que as economias com superavit externo (China, Alemanha e Japão) implementem medidas que incentivem o crescimento por consumo interno, ajudando assim à redução do défice externo norte-americano.
O Washington Post também evidencia a pressão norte-americana e aponta as prioridades da reunião: estratégias de saída da crise, controlo da inflação e reforma do sistema financeiro.
A reforma do sistema financeiro também divide os dois lados do Atlântico, nomeadamente os limites a colocar aos bónus e os novos rácios de capital para os bancos.
A AFP, por seu lado, evidencia os aspectos que vão marcar a reunião em termos de novas regras para os bancos que os forcem a aumentar as almofadas de capital de forma a evitar um nova crise destas dimensões. O Wall Street Journal também se dedica a esta questão concentrando-se, em particular, na relação entre resistência e competitividade do sistema financeiro.
Os planos dos EUA para o G-20 estão aqui escritos pelo WSJ
A China não vai salvar o mundo
Dadas as perspectivas de fraco crescimento para a economia mundial, muitos olham para a China como o potencial motor da recuperação. Martin Wolf, no FT, baixa as expectativas. É que o peso do consumo do PIB na China está apenas nos 35%, o que compara com cerca de dois terços nos EUA (Portugal está também neste nível). Por isso, Wolf defende que a China precisa de reavaliar a sua moeda, o que incentivaria o consumo interno.
FMI diz que os bancos centrais devem lidar com bolhas
O FMI defende que os bancos centrais devem procurar evitar a formação de bolhas especulativas – como a que ocorreu no mercado residencial – que ameacem a estabilidade financeira. Esta leitura do FMI, que contrasta com a visão dominante entre os banqueiros, foi apresenta ontem num dos capítulos do World Economic Outlook. Mas pormenores no Real Time Economics
Governo holandês quer cortar gastos públicos em 20%
Os planos do governo holandês são impressionantes: cortar 20% aos gastos públicos, penalizando as despesas com pensões e com habitação social. A idade de reforma também deverá aumentar para os 67 anos. A história está no Le Monde que evidencia que o combate ao défice orçamental começará a ser a prioridade para a maioria dos governos. Alemanha, Reino Unido e Espanha são outros países onde já se fala de políticas austeras.
Zapatero e patrões em rota de colisão
As relações entre patrões e o governo espanhol estão azedas há alguns meses e esta semana pioraram mais um pouco, reporta o El País. Zapatero defende que as reformas ao nível das empresas são mais importantes que as de mercado de trabalho. Estes não gostaram e criticaram o governo por planear aumentar impostos em vez de disciplinar a despesa publica. O governo por seu lado aconselhou a industria a preocupar-se mais com a contenção dentro das próprias empresas, dadas as indemnizações que tem vindo a ser pagas a alguns ex-gestores.
BCE vai começar a retirar ajudas em breve
O The Irish Economy destaca recentes declarações de Jurgen Stark, um dos homens fortes do BCE, onde este diz que o banco central espera começar a retirar as ajudas excepcionais que concedeu ao bancos já no próximo ano. Stark diz ainda que a sua avaliação da situação financeira na Europa vai sempre depender os dados agregados da Zona Euro como um todo e nunca de instituições financeiras em particular.
— e.conomia.info
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