Recuperação ou ilusão
2 Julho 2009
Vários sinais positivos na produção industrial em países como os EUA, o Reino Unido e a China tiveram direito hoje a manchete no Financial Times, que salienta prespectivas de uma recuperação global. No entanto, o diário evidencia uma das dúvidas que está a preocupar os economistas quanto aos recentes sinais positivos da economia. É que depois de vários meses de contracção as empresas baixaram os níveis de stocks de forma dramática. E tal como já aconteceu em crises passadas, dada alguma estabilização das condições económicas, é natural que as empresas reponham alguns stocks. O receio que é que passado este período de ajustamento a procura mundial não tenha ainda recuperado e que a produção volte a ajustar em baixa e se mantenha estagnada.
Sobre o momento no Reino Unido, o The Guardian salienta os riscos de uma recessão em “W”, motivada por problemas no sector da construçõa.
Sobre os EUA e as boas notícias que têm chegado do sector automóvel norte-americano James Hamilton salienta que os sinais positivos dos últimos meses se devem mais a uma ilusão estatística do que outra coisa, decorrente de um efeito base nas vendas de veículos.
Para os que estão preocupados com a nova ordem mundial eis mais uma chamada de atenção da China para a necessidade do dólar não desvalorizar a que lhe junta a pressão decorrente da intenção de, a longo prazo, diversificar as suas reservas agora muito concentradas na moeda norte-americana. Noticia a Bloomberg .
FMI passa a poder emitir obrigações
O Conselho de Administração do FMI aprovou a autorização para a instituição poder emitir obrigações para se financiar junto dos seus 186 membros, não tendo sido colocado qualquer limite a estas emissões. A noticia está na Bloomberg que salienta que esta opção de financiamento é a preferida das grandes economias emergentes que assim salvaguardam a margem de manobra na sua negociação por mais poder na instituição. Ao contrário das contribuições regulares, que são feitas a título vitalício, esta modalidade permite a reversão do financiamento o que, em futuras negociações pelo poder no fundo joga a favor de China, Brasil, Índia, Rússia e outras.
A nova presidência europeia promete
Peer Steinbruck, o ministro das Finanças alemão, atacou o governo de Brown por estar a atrasar o processo de reforma do sistema financeiro, noticia o Der Spiegel. Ora, Mats Odell, o homólogo sueco – país que assumiu ontem a presidência rotativa da UE – é citado hoje no Financial Times a defender os Hedge Funds e as empresas de “Private Equity”, uma posição mais próxima da visão britânica. Entretanto em França, e segundo o Le Monde, Nicolas Sarkozy cancelou uma reunião com o primeiro ministro sueco que, numa entrevista ao Le Fígaro defendeu o alargamento da UE e considerou que os países devem começar a moderar os gastos orçamentais.
Sobre a reforma do sistema financeiro e na linha do que defende o BIS, Willem Buiter defende a criação de um regulador sobre a introdução de novos produtos financeiros que só poderiam começar a ser comercializados após serem testados e profundamente analisados.
Manifesto contra manifestos
Foi hoje conhecido mais um manifesto a favor das grandes obras públicas. Há agora três manifestos. Um, assinado por alguns dos economias portugueses mais conhecidos, e também mais conservadores, foi apresentado à duas semanas e contou com 28 assinaturas Está aqui . Outro, apresentado na semana passada, conta com apoios de esquerda, são 51 nomes maioritariamente de economistas, que defendem a importância do investimento público para Portugal. Está aqui. Hoje foi conhecido o terceiro manifesto, por nomes mais próximos dos PS, e que também defende as obras públicas. O jornal i, que foi o primeiro a noticiar a existência dos três manifestos, explica os argumentos do mais recente manifesto.
Já começa a existir algumas reacções. Uma delas, na SEDES, por André Barata critica o manifesto dos 51.
— e.conomia.info
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