Manifestos contra manifesto nas obras públicas
25 Junho 2009
Ontem, como salientámos aqui, Rui Tavares enunciava no Público três economistas (João Rodrigues, Carlos Santos, Pedro Lains) que estavam contra o manifesto dos 28 economistas que se opõem às grandes obras públicas. Hoje é a vez do jornal i noticiar mais economistas e dois manifestos a favor das obras publicas. Os documentos ainda não são púbicos mas estão já a recolher apoiantes. As iniciativas partem de economistas do ISEG e da Universidade de Coimbra: Luis Nazaré, Brandão de Brito e José Reis são alguns dos promotores. Murteira Nabo, o bastonário da Ordem dos Economistas, escreve hoje no Diário Económico contra a oportunidade do primeiro manifesto e propõe mais debate sobre o tema dentro da sua casa.
O estado da economia e da democracia pós-crise estarão em debate na SEDES no dia 3 de Julho, no IV congresso da associação.
Bancos centrais criticam orçamentos dos governos…
Mervyn King, o governador do banco de Inglaterra, criticou ontem os planos orçamentais do Governo britânico. King classificou o défice como “verdadeiramente extraordinário”, diz que os elevados défices resultam da crise, mas também de políticas erradas adoptadas antes da crise e diz que “se a economia recuperar recuperasse ao ritmo que está assumido nas projecções orçamentais do PIB, então penso que o espaço de tempo ao longo do qual os défices têm de ser reduzidos têm de ser mais rápidos que os implicados pela projecção [do Governo]”, afirmou citado pelo The Guardian.
King junta-se assim a Christian Noyer e Miguel Ordoñez, homólogos nos bancos centrais de França e Espanha. Esta semana Noyer, após um discurso pró-despesa de Sarkozy, veio avisar para a importância de reduzir o défice. Ordoñez está já há vários meses em rota de colisão com Zapatero. Um dos últimos avisos chegou ainda este mês, também no FT
… nos EUA são os republicanos a atacar Bernanke
Nos Estados Unidos os republicanos estão a apontar armas para Ben Bernanke, ficando indiferentes ao facto do governador ser dessa ala política. Em causa está a mais recente pressão política sobre Bernanke que é acusado de ter forçado a fusão compra da Merril Lynch pelo Bank of America, algo que Bernanke nega, mas que vários relatos dão como certa. Segundo o NYT os republicanos vão atacar Bernanke, que amanhã comparece perante os deputados, por fomentar um Estado grande.
Outra das críticas à operação e actuação do governo e da Fed é o facto de fomentarem instituições demasiado grandes para serem deixadas falir, quer através do apoio de grandes instituições, quer através do salvamento e não reestruturação do Citi.
No seu blog Willem Buiter dá uma receita sobre como evitar a criação de bancos grandes demais para falir. Está aqui
Como compensar os Executivos?
Uma das lições centrais da actual crise é a importância de desenhar sistemas de incentivos e de remuneração adequados. No VOX Edmans e Xavier Gabaix propõem um novo sistema de compensação de executivos. Dizem que os dois principais problemas com os actuais sistemas de incentivo eram o facto de se centrarem no centrarem no curto prazo e de, ao dependerem exclusivamente de acções, acabaram por dar um incentivo perverso: quando as acções caem e o empenho dos gestores é mais necessário os prémio acabam por ser menores. Por isso propõem um sistema de incentivos onde os prémios não pagos imediatamente e dependem de acções de dinheiro.
Martin Wolf, no Financial Times, defende que a reforma da regulação do sistema bancário deve começar exactamente por uma alteração dos sistemas de incentivos dos executivos, citando propostas de dois economistas: Lucian Bebchuk e Holger Spamann (Regulating Bankers’ Pay, Harvard Law and Economics Discussion Paper No. 641, May 2009).
Comentando sobre a peça de Wolf, Brad Delong , defende sistemas de incentivos que impliquem que, em caso de catástrofe nas suas instituições, os gestores “paguem” caro até aos seus carros e casas.
O paradoxo da macroregulação prudencial
Avinash Persaud, presidente da Inteligence Capital, critica no VOX os planos de macro-regulação que andam a ser propostos. Diz que na sua maioria de se tratam de ideias que decalcam o que já é feito em termos de microregulação e que, por isso, incentivam o que uma empresa cautelosa já fará normalmente. O que faz falta, diz, é um sistema de rácios de capital contraciclicos, o que não está a ser proposto nem nos EUA nem na Europa, defende.
As respostas das autoridades à crise dia a dia
Acompanhar as principais respostas dos países à crise não é tarefa fácil. A Fed de Nova Iorque dá uma ajuda aqui com informação actualizada no inicio de cada mês.
— e.conomia.info
Envie o seu comentário
← Governo não deve permitir cortes de pensões devido à crise
→ O maior risco para a recuperação é a inflação elevada lá para 2012, diz Greenspan



O problema das excessivas compensações pagas aos executivos não me parece que esteja apenas na falta de regulação, mas também na falta de responsabilização pelas consequências das suas acções e da imputação de responsabilidades às entidades beneficiárias. Em vez disso assistimos à atribuição de prémios extraordinários aos responsáveis pela exoneração dos cargos. Assim não há regulação que chegue….
— J. Anastácio · 28 Junho 2009, 12:22 · #