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Luc Bauwens [U.C. Louvain-La-Neuve]
5 Fevereiro 2008

Luc Bauwens [U.C. Louvain-La-Neuve]

O co-autor do artigo The resistable decline of European science aponta os principais problemas da investigação na europa, considerando que o objectivo da Agenda de Lisboa “está totalmente fora de alcance”


“A Agenda de Lisboa está totalmente fora de alcance”

Coloca o desenho e “governance” das instituições de investigação no centro do sucesso científico. Quais são os principais problemas na Europa?
Há demasiadas restrições burocráticas na gestão das universidades. Por outro lado, os salários dependem demasiado na senioridade e não o suficiente no mérito e, por isso, há falta de incentivos para ser produtivo na investigação. Finalmente, o dinheiro aplicado na investigação é espalhado por demasiados centros de investigação ou pequenos projectos.

Defende também que as instituições da Europa continental não têm de copiar os modelos anglo-saxónicos. Há no entanto, um conjunto de boas práticas que devem ser consideradas. Quais?
A criação de verdadeiras universidades de investigação de elite. Nem todas as universidades podem ser boas em todas as áreas. A estas universidades de elite deve ser permitido escolher os melhores alunos e investigadores.

Qual é o principal fardo burocrático na gestão dos fundos comunitários dedicados à investigação?
Há demasiada burocracia na preparação e gestão dos fundos. Além disso, não há uma avaliação séria da forma como o dinheiro é gasto. As regras de gestão são definidas por burocratas que não têm em conta (ou desconhecem) como funcionam as universidades. Por exemplo: o calendário anula de recrutamento de investigadores não tem em conta o calendário académico. As universidades devem ser consultadas para definir regras que sejam adequadas.

A Agenda de Lisboa apontava para que em 2010 a Europa fosse a região líder em investigação e desenvolvimento. Considera um objectivo alcançável? Consegue colocar um prazo?
Está totalmente fora de alcance com a política actual.

Deve um pequeno país como Portugal deixar de apostar em pequenos centros de investigação nas universidades e considerar a criação de centros de maior dimensão que agreguem investigadores de várias universidades? Pode o mesmo objectivo ser alcançado apenas com networking? O que pode a política publica fazer aqui?
A criação de centros com massa crítica é essencial, mas os centros para diferentes áreas podem ser em diferentes universidades. Networking não é suficiente, mas é melhor que nada. Além disso, networking a nível internacional pode ser combinado com a criação de grandes centros ao nível nacional. A política pública deveria apostar na criação destes centros, concentrando aí os fundos disponíveis.

NR: Luc Bauwens é professor na Universidade Católica de Louvain-La-Neuve (UCL), tendo feito quase toda a sua carreira nesta escola belga. Foi presidente do departamento de economia da UCL entre 2000 e 2003 e é desde 2006 o director de investigação do Center for Operations Research and Econometrics (CORE). Já deu aulas como professor convidado em várias universidades (Japão, Canadá, França, Holanda). Tem vários livros e artigos publicados, essencialmente em áreas relacionadas com métodos estatísticos e econometria. Aproveita os seus conhecimentos instrumentais para explorar as mais variadas áreas da vida económica: de leilões a avaliação de resultados da investigação na Europa, passando pelo mercado de capitais de Tóquio.

— e.conomia.info

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