Willem Buiter [London School of Economics]
21 Janeiro 2008
Willem Buiter, autor do artigo esta semana destacado pela e.conomia.info, vê sinais de mais confiança no mercado de crédito interbancário, mas antecipa problemas de insolvência no sector bancário e o contágio da crise para a economia real.
“Não estamos nem perto do pior momento no que diz respeito aos níveis de insolvência”
Os spreads nos mercados interbancários têm-se reduzido desde a última intervenção concertada dos bancos centrais. Acha que este é um sinal de que se está a conseguir resolver a crise no mercado de crédito?
O spread que é mais relevante para esta questão deve ser aquele que reflecte a diferença entre a Euribor ou a Libor a três meses e a taxa OIS (que revela a expectativa do mercado em relação à política monetária nos próximos três meses). Este spread tem, de facto, vindo a descer, o que é consistente com a ideia de que o pior da crise de liquidez internacional já terá passado. No entanto, não estamos nem perto do pior momento no que diz respeito aos níveis de insolvência.
Recentemente, têm sido divulgados mais indicadores, demonstrando que a crise se está a espalhar para a economia real, tanto nos EUA como na Europa. Como é que os bancos centrais podem lidar com isso?
Tendo em conta a existência de um intervalo de um a dois anos no efeito da política monetária na economia real, há pouco que as autoridades monetárias possam fazer para impulsionar a economia real ao longo deste ano. Além disso, também há riscos de inflação na Zona Euro, Reino Unido e EUA. Perante este cenário, deveremos assistir a um abrandamento sério nos EUA, possivelmente uma recessão. Quem será, a seguir, mais afectado, é o Reino Unido. A Zona Euro será menos afectada, embora a Espanha, Irlanda e Itália possam muito bem vir a sofrer recessões.
Acredita no esforço que as maiores potências europeias estão a fazer para definir novas regras para as agências de ratings?
Uma revolução nas agências de crédito e no seu modelo de negócio é necessária. E a cooperação entre os países da UE é útil. Substituir 27 reguladores por apenas um vai aumentar a estabilidade, mas não estou demasiado optimista.
Nascido na Holanda, mas com nacionalidade britânica, Willem Buiter é actualmente professor de economia política europeia na London School of Economics. Publica papers no NBER e no CEPR. Já foi economista-chefe do BERD e conselheiro de Governos, instituições internacionais e bancos centrais.
— e.conomia.info
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