O poder excessivo dos gestores nas empresas só se nota em tempos de crise
9 Dezembro 2008
[Paper] “Not So Lucky Any More: CEO Compensation in Financially Distressed Firms”
[Autores] Qiang Kang e Oscar A. Mitnik
[Publicação] IZA, Novembro 2008
[Classificação JEL] G30, J33, M52
[Palavras Chave] CEO compensation, CEO turnover, financial distress, lucky grants, bias-corrected matching estimators
(Newsletter nº063 | 9 DEZ | 2008)
Quando os accionistas estão mais atentos às suas empresas, os salários dos gestores tornam-se menos atractivos. Este é um sinal de que as compensações financeiras milionárias que muita polémica têm criado ultimamente são o resultado, não de um funcionamento normal do mercado de trabalho, mas sim de um poder excessivo dos gestores nas empresas, em detrimento dos accionistas.
[Artigo] Os elevados rendimento dos gestores das grandes empresas cotadas são o resultado da procura dos melhores neste específico mercado de trabalho ou resultam antes de um excessivo poder dos gestores nas empresas utilizado em seu próprio benefício? A questão é discutida há muito, mas ganhou há pouco tempo mais exposição mediática, assim que foram conhecidos os rendimentos milionários dos gestores de empresas que anunciaram a falência ou se salvaram graças ao dinheiro dos contribuintes. Este artigo, publicado pelo IZA, tenta verificar, no caso das empresas norte-americanas, até onde vai o alegado excessivo poder dos CEO.
[Abordagem] Os autores tentam verificar se há um abuso de poder por parte dos gestores, analisando o que acontece nas alturas em que os accionistas estão mais atentos a tudo o que se passa na sua empresa. Assim, com base num histórico do mercado dos EUA, observam as alterações registadas nos esquemas de compensação dos CEO quando uma empresa se encontra em situação de dificuldades financeiras e, com toda a probabilidade, os accionistas procuram com mais afinco inteirar-se de todos os pormenores da gestão, incluindo, a justeza da política de salários e preços.
[Conclusões] Quando uma empresa se encontra em dificuldades financeiras, torna-se evidente uma redução do poder dos gestores, nomeadamente com uma diminuição imediata e para o futuro da generosidade do esquema de compensação financeira do CEO, quer dos que estão no cargo no momento da crise, quer dos seus sucessores.
[Comentário] Na sequência da actual crise financeira internacional, muita coisa promete mudar nos esquemas de compensação financeira dos gestores das grandes empresas. Em alguns países, as autoridades estão a ponderar a imposição de leis que limitem os níveis de rendimento, mas, tendo em conta os resultados deste estudo, o simples facto de os accionistas poderem, devido à actual crise, passar a estar muito mais atentos e activos em relação às práticas de gestão das suas empresas poderá ser suficiente para garantir que o tempo dos salários multimilionários seja interrompido.
— e.conomia.info
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