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FMI olha para a importância geopolítica de um país antes de assinar os maiores cheques
17 Novembro 2008

[Paper] “IMF LENDING AND GEOPOLITICS”

[Autores] Julien Reynaud e and Julien Vauday

[Publicação] BCE, Novembro 2008

[Classificação JEL] F33, H77, O19

[Palavras Chave] factor analysis, geopolitics, International Monetary Fund, potential analysis

(Newsletter nº060 | 17 NOV | 2008)

Numa altura em que o papel do FMI volta ao centro da agenda política internacional e no ano em que pela primeira vez em três décadas a instituição voltou a emprestar dinheiro a um país industrializado, dois economistas do BCE concluem que há uma componente geopolítica nos critérios de escolha dos países a que são concedidos empréstimos pela instituição internacional. A importância de factores relacionados com potencial energético, nuclear, militar e geográfico junta-se a factores económicos e estritamente políticos já identificados na literatura como influenciado as decisões do FMI. A influência geopolítica varia com o tipo de empréstimos.

[Artigo] Que critérios governam as decisões de empréstimos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional entre 1990 e 2003. Estar politicamente próximo das grandes potências ajuda a receber empréstimos do FMI é um resultado já documentado na literatura assim como ser muito pobre é um ponto contra. Os economistas do BCE tentam perceber se, além de critérios políticos e económicos, há factores geopolíticos que contam nas decisões de atribuição de empréstimos.

[Abordagem] Criam um índice de importância geopolítica obtido a partir de uma análise factorial sobre variáveis relativas a condições geográficas de 107 países emergentes e em desenvolvimento ao longo do período 1990 e 2003. Constroem um modelo onde os empréstimos são explicados por factores económicos, políticos e de importância geopolítica (estes decorrentes do potencial energético, do domínio da tecnologia nuclear, do poderio militar e da dimensão geográfica dos países).

[Conclusões] Além de factores económicos e políticos, os autores concluem que os factores geopolíticos influenciam os empréstimos, principalmente os concedidos a países mais ricos com desequilíbrios na balança de pagamentos (que explicam cerca de 85% do total de empréstimos). Nos empréstimos aos países baixo rendimento os resultados são menos robustos.

[Comentário] Com o papel de FMI e a sua reforma na ordem do dia, os autores dão mais contributo sobre os cuidados a ter para evitar elementos que põem em causa a credibilidade e a eficácia do fundo nos empréstimos que concede, a sua principal missão.

— e.conomia.info

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