E se o euro igualar o dólar como moeda de reserva dos bancos centrais?
9 Novembro 2008
[Paper] “Global Impact of a Shift in Foreign Reserves to Euros”
[Autores] Fritz Breuss, Werner Roeger, Jan in ’t Veld
[Publicação] Comissão Europeia, Novembro 2008
[Classificação JEL] C68 , F31, F32
[Palavras Chave] Globalization, Global imbalances, reserve currency, euro area, DSGE modelling
(Newsletter nº059 | 10 NOV | 2008)
A actual crise veio aumentar o interesse sobre a possibilidade do euro ganhar terreno face ao dólar como moeda de reserva dos bancos centrais do mundo – uma tese mais defendida pelos que entendem que a crise representará um ponto de viragem na forma como o mundo tem confiado na economia e nos activos financeiros norte-americanos. Actualmente, cerca de 65% cerca das reservas estão em dólares e 25% em euros. Mas o que aconteceria se os bancos centrais alterassem os seus portefólios para 45%/45% no espaço de dez anos. Os impactos não seriam grandes, mas a Zona Euro sairia a ganhar, mesmo que numa primeira fase à custa do seu sector exportador.
[Artigo] Os autores procuram estimar qual seria impacto macroeconómico em seis regiões do mundo de uma alteração nas carteiras de reservas dos bancos centrais do mundo para um cenário onde o euro iguala o peso do dólar. Não analisam o impacto de uma alteração destas preferências também por parte dos agentes privados, a qual aconteceria (ou se seguiria) naturalmente, implicando impactos muito superiores aos encontrados no artigo.
[Abordagem] Usam um modelo Dinamic Stochastic General Equilibrium alargado a seis regiões (Zona Euro, os novos estados membros da EU, outros países da UE fora do euro, EUA, Ásia emergente e resto do mundo). Simulam o impacto no PIB, consumo, investimento, taxas de câmbio, défice externo e posição de investimento internacional. Uma condição essencial para estimar os impactos é a sensibilidade dos investidores a diferenciais de taxas de juro. Usam vários valores para esse parâmetro.
[Conclusões] Uma alteração das preferências dos bancos centrais levaria a uma apreciação do euro e a uma deterioração da balança comercial, quer pelo efeito taxa de câmbio, quer por um efeito riqueza no consumo, decorrente de uma redução das taxas de juro na Zona Euro. A posição de investimento internacional deteriorar-se-ia. No longo prazo, a taxa de câmbio teria tendência a depreciar mas, em qualquer cenário aconteceria uma redução da taxas de juro, a qual impulsionaria o consumo, o investimento e logo o PIB. Dependendo do cenário assumido, o crescimento da Zona Euro poderia aumentar até 0,5 pontos ao ano.
[Comentário] O peso do euro como moeda de reserva passou de cerca de 19% em 1999 para 25% no final de 2007. Um resultado que mostra que uma década chegou para afirmar o euro mas sem nunca ameaçar o dólar, mas também que uma aproximação do euro à importância internacional do dólar está ainda longo. Esse seria um cenário que teria ainda de considerar as pressões que se adivinham do governo dos EUA: a Casa Branca dificilmente veria essa evolução como positiva, dadas as vantagens de ter a moeda hegemónica quando se gere uma economia deficitária e que precisa de pedir muito dinheiro emprestado ao resto do mundo.
— e.conomia.info
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