Garantias dos Estados à banca costumam ser caras e nem sempre eficazes
2 Novembro 2008
[Paper] “The Use of Blanket Guarantees in Banking Crises”
[Autores] Luc Laeven e Fabian Valencia
[Publicação] FMI, Setembro 2008
[Classificação JEL] G21, G28
[Palavras Chave] banking crisis, crisis resolution, blanket guarantee, moral hazard
(Newsletter nº058 | 03 NOV | 2008)
Em crises bancárias, face às fragilidades dos bancos e à crescente falta de confiança de clientes e investidores, os Governos tendem a prestar garantias às instituições financeiras. Aconteceu em 14 de 42 crises bancárias analisadas neste artigo e está a acontecer com a maioria dos países europeus na actual crise (Em Portugal, o Governo garantiu depósitos e emissões de empréstimos). Os autores concluem que estas garantias tendem a ser caras para os cofres do Estado, pois são normalmente antecedidas – e posteriormente acompanhadas – por grandes ajudas de liquidez concedidas pelo Estado. A sua eficácia não é garantida e, além disso, programas abrangentes de reestruturação do sistema financeiro tendem a ser mais eficientes na devolução de confiança.
[Artigo] No meio da crise o FMI tem produzido vários artigos com base na sua vasta experiência de acompanhamento de crises financeiras pelo mundo. A prestação de garantias é um instrumento frequente usado pelos Estados para evitar “corridas aos bancos”. Mas será eficiente? Em que condições?
[Abordagem] Os autores analisam 42 crises bancárias. Em 14 delas foram dadas garantias explícitas e em muitas outras as garantias ficaram implícitas nos discursos dos governos. Estudam quais os impactos em termos de assistência aos bancos e de custos para os orçamentos.
[Conclusões] As garantias tendem de facto a aliviar a pressão sobre as instituições por parte dos clientes e investidores nacionais. Já os os internacionais tendem a não valorizar a garantia, preferindo mesmo assim reduzir a exposição às instituições com potenciais problemas. Os objectivos de aliviar as pressões de liquidez sobre os bancos e de devolver a confiança ao mercado são melhor conseguidos por programas abrangentes de reestruturação do sistema financeiro do que por prestação de garantias. A eficácia e custo da garantia são maiores se estas forem prestadas relativamente cedo, quando ainda não foi prestada muita assistência financeira aos bancos e quando os investidores acreditam mais facilmente na garantia.
[Comentário] Os custos orçamentais das garantias e ajudas prestados pelos Estados europeus ainda não estão contabilizados. A urgência imposta pela crise tem permitido que as ajudas tenham sido dadas sem que sejam prestadas muitas explicações aos contribuintes. Parece no entanto certo que os custos para os contribuintes serão elevados. No passado, em média, chegaram aos 13 pontos de PIB, embora variando muito entre países
— e.conomia.info
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