As lições de 1929 para o combate à crise imobiliária de 2008
26 Outubro 2008
[Paper] “Government Response to Home Mortgage Distress: Lessons from the Great Depression”
[Autores] David C. Wheelock
[Publicação] Federal Reserve Bank of St. Louis, Outubro 2008
[Classificação JEL] G21, G28, N22
[Palavras Chave] Mortgage foreclosures, foreclosure moratoria, Home Owners Loan Corporation, Great Depression
(Newsletter nº057 | 27 OUT | 2008)
Duas medidas, agora a serem ponderadas para combater a crise de 2008, conseguiram limitar, na crise de 1929, o número de execuções de hipotecas, reduzindo o impacto negativo as famílias do colapso de preços no mercado imobiliário. No entanto, as políticas utilizadas nos anos 30 também tiveram efeitos perversos para a actividade económica e podem não servir de exemplo para o presente devido às diferentes características das duas crises.
[Artigo] Nos Estados Unidos, durante a grande depressão, o número de hipotecas executadas disparou. Duas medidas foram tomadas para contrariar esta tendência. Por um lado, vários Estados decidiram impor moratórias às execuções de hipotecas. As famílias endividadas foram beneficiadas, enquanto os bancos deixaram de poder tomar posse imediata dos activos. por outro lado, foi criada a Home Owners’ Loan Corporation (HOLC), uma entidade com a competência para comprar aos bancos os créditos malparados, renegociando-os com os devedores. Este tipo de medidas, perante a situação de grande stress que se vive actualmente no mercado imobiliário dos EUA, está agora a ser novamente considerada pelas autoridades. Será uma boa ideia?
[Abordagem] O autor analisa as causas, efeitos, medidas políticas e resultados da crise imobiliária e de crédito durante a Grande Depressão, procurando paralelos e diferenças com a actual situação.
[Conclusões] A imposição de moratórias conseguiu, efectivamente, reduzir o número de hipotecas executadas e limitar a quebra de preços no mercado imobiliário, mas acabou por prejudicar os futuros compradores de casas, já que a reacção dos bancos a esta medida foi uma maior restrição na concessão de crédito e a subida das taxas de juro praticadas. A acção da HOLC também conseguiu limitar as perdas de casas pelas famílias e esta entidade acabou por recuperar a totalidade do dinheiro investido. Além disso, não existem provas de ter havido um encorajamento do comportamento de risco dos bancos. No entanto, lembram os autores, neste caso, as consequências de uma medida idêntica podem ser diferentes na actual crise. Isto porque, enquanto em 1929, o aumento do malparado se deu por causa da crise económica, agora aconteceu essencialmente devido à falta de cuidado na concessão de crédito por parte das instituições financeiras.
[Comentário] Também em Portugal, o Governo apresentou uma medida de combate ao malparado. Neste caso, também existe a dúvida: ajuda para as famílias evitarem o malparado ou encorajamento aos bancos para manterem práticas de risco?
— e.conomia.info
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