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As diferenças nos mercados imobiliários europeus
7 Setembro 2008

[Paper] “House Price Developments in Europe: A Comparison”

[Autores] Paul Hilbers, Alexander W. Hoffmaister, Angana Banerji and Haiyan Shi

[Publicação] FMI, Setembro 2008

[Classificação JEL] R21, R31, G21

[Palavras Chave] housing markets, Europe

(Newsletter nº050 | 8 SET | 2008)

Portugal é um dos países europeus onde o preço real das casas se manteve quase inalterado nas últimas duas décadas (e também nos últimos anos), por oposição à Espanha que lidera as subidas na Europa onde o valor mais que triplicou. Os quatro economistas do FMI procuram explicações para as diferenças entre as evoluções de preços nos vários países europeus, agrupando-os em três conjuntos: os de crescimento rápido, onde os preços mais que duplicaram desde 1985 (Espanha, Irlanda, Bélgica, Reino Unido, Holanda e França), os de desempenho médio, com crescimentos entre os 50% e 100% (os países nórdicos, Itália e Grécia) e os de crescimento lento, com uma valorização real quase nula (que inclui Alemanha, Áustria, Suíça e Portugal).

[Artigo] Como mostra a actual crise o mercado imobiliário é um dos sectores mais relevantes para a estabilidade económica e financeira dos países. As razões são várias: a sua importância em termos de PIB e emprego chega a ultrapassar os 10% no total da economia; as casas são um activo muito relevante na riqueza das famílias (muitas vezes o mais relevante) e o sector envolve uma indústria financeira sofisticada e de grande dimensão. Factores suficientes para justificar a tentativa de caracterização e explicação das evoluções nos vários países, assim como das disparidades observadas.

[Abordagem] Tentam explicar a evolução nos preços das casas considerando vários factores: rendimento, taxas de juro, demografia, condições de oferta, fiscalidade, e formas de financiamento.

[Conclusões] Os preços das casas parecem responder à evolução dos custos anuais associados a ter uma casa, aos factores demográficos e ao crescimento da economia na generalidade dos países. Há contudo diferenças importantes para explicar as diferenças de desempenho. Nos países de crescimento rápido os preços são mais sensíveis às variações de rendimento das famílias (influenciada pelo crescimento da economia e pelas taxas de juro), enquanto nos países de crescimento lento há factores que explicam a maior rigidez de preços: muita oferta, baixas taxas de casa própria (64% em Portugal contra, por exemplo, 82% em Espanha) e mercados financeiros menos desenvolvidos.

[Comentário] Os autores evidenciam a pluralidade de factores que influencia o mercado imobiliário, desde a política monetária, a política fiscal e de subsídios passando pelas políticas de urbanismo e acabando no enquadramento financeiro. É provavelmente o mais extenso estudo sobre evolução do mercado imobiliário europeu (e inclui Portugal). Um contributo relevante para perspectivar o futuro das economias europeias no futuro próximo e analisar possíveis respostas da política económica.

— e.conomia.info

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