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Afinal o número de pobres ainda é muito superior a mil milhões
31 Agosto 2008

[Paper] “The developing world is poorer than we thought, but no less successful in the fight against poverty”

[Autores] Shaohua Chen e Martin Ravallion

[Publicação] Banco Mundial, Agosto 2008

[Classificação JEL] I32, E31, O10

[Palavras Chave] Global poverty, purchasing power parity

(Newsletter nº049 | 1 SET | 2008)

Uma nova avaliação da pobreza no mundo publicada pelo Banco Mundial a semana passada coloca a o número de pobres no mundo na casa dos 1,4 mil milhões de pessoas. Uma revisão enorme (mais de 40%) face aos cerca de 930 milhões divulgados em 2005 pela instituição, o que leva os autores do artigo a afirmar: “as novas estimativas sugerem que as celebrações por termos conseguido baixar a barreira dos mil milhões a viver com menos de um dólar por dia foram prematuras”. O aumento justifica-se fundamentalmente por dois efeitos: mais e melhores dados sobre a China e uma subestimação do custo de vida nos países em desenvolvimento que foi agora corrigida.

[Artigo] Uma das principais missões do Banco Mundial passa pela avaliação da evolução das economias e dos padrões de vida nos países em desenvolvimento. Neste trabalho dois economistas do BM usam os últimos dados e recomendações metodológicas para afinar a contabilidade do número de pobres no Mundo. Adoptam como limite de pobreza viver, por dia, com menos de 1,25 dólares em Paridades de Poder Compra (PPP) de 2005.

[Abordagem] Explicam as evoluções metodológicas e de volume e de qualidade de informação sobre rendimentos e custos de vida nos países em desenvolvimento e recalculam o número de pobres no mundo, a sua distribuição no mundo e respectiva evolução entre 1981 e 2005.

[Conclusões] Cerca de 1,4 mil milhões de pessoas, ou seja um quarto da população dos países em desenvolvimento (ou 20% da população mundial), vive com menos de 1,25 dólares (a preços de 2005) por dia. Há, 25 anos, dizem, este valor era de 1,9 mil milhões ou seja metade da polução dos países mais pobres. Os novos cálculos não alteram o ritmo de redução do número de pobres, nem o desempenho regional: a taxa de pobreza reduziu-se de 80% para 20% na Ásia Oriental (de ), mas manteve-se na casa dos 50% na África Subsaariana.

[Comentário] Os autores não dispõem de dados que permitam avaliar o impacto sobre o número de pobres no mundo da recente alta dos preços dos alimentos e das matérias-primas. A julgar pelas declarações de há poucos meses de Robert Zoellick , presidente do Banco Mundial, o efeito será muito forte, podendo chegar a um acréscimo de 100 milhões de pessoas. Uma avaliação detalhada terá de esperar até 2010.

— e.conomia.info

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