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Apresentação de resultados trimestrais é útil para os investidores em Portugal
20 Julho 2008

[Paper] “Do First and Third Quarter Unaudited Financial Reports Matter? The Portuguese Case”

[Autores] Carlos F. Alves e F. Teixeira dos Santos

[Publicação] European Accounting Review, Julho 2008

[Classificação JEL] G14, G18 e M49

[Palavras Chave] Capital markets-based research; interim accounting disclosure; market reaction; market regulation

(Newsletter nº043 | 21 JUL | 2008)

A directiva comunitária da transparência, aprovada no final de 2004, permitiu a cada Estado-membro decidir sobre a obrigatoriedade de as empresas cotadas apresentarem informação financeira no primeiro e terceiro trimestres. Neste momento, apenas sete países da UE o fazem, um deles é Portugal. Os autores provam que os investidores consideram que as constas apresentadas em cada um dos trimestres contém informação útil.

[Artigo] Na sequência da directiva de 2004 cada país da UE pode escolher se as empresas cotadas devem apresentar resultados todos os trimestres ou apenas duas vezes por ano. Os modelos existentes são variados: apenas sete países divulgam informação quatro vezes ao ano e mas mesmo entre estes há diferenças – em Portugal e Espanha, por exemplo, a informação é bastante completa, enquanto em França as empresas divulgam apenas o volume de negócios. A Áustria, a Finlândia e a Itália e Suécia são os restantes países europeus que divulgam informação de três em três meses. Será que os investidores consideram relevante ter informação todos os trimestres? Há trimestres mais importantes?

[Abordagem] Usam dados de 1751 dados de resultados trimestrais entre 1994 e 2004 e analisam o seu impacto em termos de volatilidade das cotações e volume de transacções.

[Conclusões] O mercado considera que a informação revelada nos primeiros e terceiro trimestres é tão importante como a revelada a meio e final do ano, o que se nota quer em termos de volatilidade dos preços quer de volume de transacções em bolsa. A obrigatoriedade de reportes trimestrais contribui para reduzir a volatilidade no mercado. Face a estes resultados, os autores consideram que “não há qualquer razão para se acreditar que a informação trimestral será ignorada pelos investidores nos seus processos de escolhas”, razão que joga a favor da divulgação mais frequente.

[Comentário] Informação mais frequente e de melhor qualidade reduzem a assimetria de informação, reforça a confiança no mercado e ajuda os investidores a fazerem melhores escolhas de investimento. Neste sentido a decisão europeia de permitir a não divulgação de resultados no primeiro e terceiro trimestres é um passo na direcção errada. A actual crise nos mercados financeiros, em especial na banca, tem evidenciado a importância da divulgação frequente de informação. Ninguém quereria ficar seis meses sem saber as perdas de uma empresa.

— e.conomia.info

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