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Défice externo dos EUA é insustentável, mas a sua correcção ainda não é urgente
13 Julho 2008

[Paper] “How Long Can the Unsustainable U.S. Current Account Deficit Be Sustained?”

[Autores] Carol C. Bertaut, Steven B. Kamin e Charles P. Thomas

[Publicação] Reserva Federal, Julho 2008

[Classificação JEL] F21, F32, F37

[Palavras Chave] sustainability, external imbalance, dollar

(Newsletter nº042 | 14 JUL | 2008)

O défice externo norte-americano continua a ser insustentável no longo prazo, mas a sua correcção pode não ser, afinal, uma questão urgente e imediata. Três economistas da Reserva Federal norte-americana assinalam que cinco países industrializados, incluindo Portugal, apresentam actualmente uma posição de investimento internacional mais negativa do que aquela que os EUA terão em 2020. E defendem, que mesmo quando a situação se aproximar de um nível insustentável, a correcção não deverá ser feita de forma brusca.

[Artigo] Depois de atingir os 6,6 por cento do PIB no terceiro trimestre de 2006, o défice da balança de transacções correntes dos EUA tem vindo a diminuir. O défice externo norte-americano é visto como um dos principais desequilíbrios da economia mundial e o factor por trás de parte importante dos desenvolvimentos dos últimos meses. Neste estudo, os autores tentam verificar se o seu actual valor exige, de facto, uma correcção urgente.

[Abordagem] O estudo procura responder a três questões: Depois da recente correcção, o défice da balança de transacções correntes norte-americana já é sustentável no longo prazo? Caso não seja, em que momento é que o nível de endividamento poderá atingir proporções que façam os investidores internacionais recusar financiá-lo? Quando esse nível for ultrapassado, a correcção seria muito rápida e brusca.

[Conclusões] Apesar da recente correcção, o défice de transacções correntes norte-americano vai voltar a uma tendência de subida a médio prazo que se deverá manter, o que significa que o défice externo é, com a presente estrutura económica, insustentável. No entanto, concluem os autores, serão necessários muitos anos até que se chegue a uma situação em que os investidores comecem a sentir que o retorno do seu capital está ameaçado, forçando uma correcção externa urgente. As projecções feitas apontam para que, mesmo em 2020, posição de investimento internacional norte-americana em percentagem do PIB se mantenha inferior ao que actualmente acontece em cinco economias industrializadas, incluindo Portugal e Espanha. Os autores concluem ainda que, mesmo que o endividamento externo atinja valores extremos, é pouco provável uma correcção brusca.

[Comentário] Portugal, com um défice externo próximo de dez por cento, e uma das mais desconfortáveis posições de investimento internacional dos países industrializados encontra-se, mais do que os EUA, numa situação limite. No entanto, o facto de pertencer à Zona Euro faz com que, ao contrário do que acontece actualmente com a economia norte-americana, a correcção do défice não se faça com a ajuda da sua divisa.

— e.conomia.info

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