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Reformar economias não é fácil: a importância da complementaridade das políticas
23 Junho 2008

[Paper] “Growth, reform indicators and policy complementarities”

[Autores] Jorge Braga de Macedo e Joaquim Oliveira Martins

[Publicação] Economics of Transition, Abril 2008

[Classificação JEL] P2, O40, C33

[Palavras Chave] Second-best, complementarity, structural reforms, reform indicators, economic growth, transition, panel data

(Newsletter nº039 | 23 JUN | 2008)

Encontrar a melhor receita para o crescimento sustentado de uma economia é provavelmente o desafio central da teoria económica. As diferentes abordagens para responder ao objectivo têm dividido economistas. Nos extremos há, de um lado, os que defendem reformas abrangentes, profundas e rápidas, tipo consenso de Washington; do outro, os que defendem abordagens mais graduais. As conclusões sobre qual a melhor estratégia não são consensuais. Os dois economistas portugueses sugerem uma forma de análise para ajudar à discussão: uma estratégia de reforma estrutural tem de considerar a profundidade (nível) das várias reformas assim como as complementaridades entre elas. Aplicam esta lógica de nível e complementaridade de reformas na análise da transição das ex-economias socialistas para economias de mercado.

[Artigo] Procuram estudar o efeito da complementaridade entre reformas no cresc imento económico. Nada melhor do que a experiência de transição das ex-economias soviéticas: partiram de pontos diferentes de desenvolvimento e adoptaram objectivos de reforma semelhantes, apesar de com estratégias (níveis de reforma e complementaridade entre elas) diferentes.

[Abordagem] Usam dados de 27 economias entre 1989 e 2004 e controem um indice de complementaridade de reformas . Analisam os impactos no crescimento do nível de reformas e da compementaridade entre elas. Dedicam especial atenção às economias que aderiram à União Europeia (foram também as que apresentaram melhores resultados).

[Conclusões] É certo que a eliminação de distorções pretendida pelas reformas liberais deve ser adoptada de forma abrangente, mas nunca esquecendo que existem importantes complementaridades entre as várias áreas da economia. Reformas profundas em diversas frentes mas que reduzam as complementaridades podem ser pouco eficientes. O mesmo pode acontecer com reformas profundas mas que sejam aplicadas em poucas áreas. O resultado depende da sinergia entre as políticas. Os autores constroem um índice de complementaridade que aplicam na análise do ciclo de transição das ex-economias socialitas para economias de mercado.

[Comentário] Este estudo explica, por exemplo, porque é que estratégias tipo consenso de Washington – onde um pacote de reformas servia todas as economias em desenvolvimento e era aplicado de forma rápida – gera ineficiências. O trabalho levanta questões sobre as estratégias com que também nos defrontamos em economias desenvolvidas. Muitas vezes os governos, incapazes de implementar várias áreas de uma vez, escolhem uma área bandeira que reformam de forma determinada, profunda e rápida. Os economistas mostram que esta pode ser uma opção espectacular, mas pouco eficiente.

— e.conomia.info

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