Home     Quem Somos     Parceiros     Colabore




Fusão BCP/BPI faria subir taxas e tornaria a concertação de preços ainda mais atractiva
18 Maio 2008

[Paper] “Merger Analysis in the Banking Industry: The Mortgage Loans and the Short Term Corporate Credit Market”

[Autores] Duarte Brito, Pedro Pereira e Tiago Ribeiro

[Publicação] Universidade Nova, Janeiro 2008

[Classificação JEL] L25, L41, G21, G34

[Palavras Chave] Mortgage Loans, short run credit, merger, prices

(Newsletter nº034 | 19 MAI | 2008)

A fusão entre o BCP e o BPI, uma hipótese colocada pelos dois bancos durante os últimos dois anos, levaria a uma subida de 10 pontos base nas taxas de juro praticadas no crédito à habitação e de 31 pontos no crédito de curto prazo às PME. Para além do mais, tornaria ainda mais atractiva a prática de concertação de preços entre os maiores bancos portugueses. Os remédios propostos pelo BCP quando apresentou a sua OPA em Março de 2006, teriam um efeito positivo “negligenciável”.

[Artigo] O que teria acontecido aos mercados do crédito à habitação e do crédito de curto prazo a pequenas e médias empresas se a estudada fusão entre o BCP e o BPI se tivesse concretizado? Os autores, afiliados à Universidade Nova de Lisboa, Autoridade da Concorrência e Indera, tentam responder a esta questão neste trabalho apresentado na sexta-feira passada na conferência “Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu”, organizada pelo Banco de Portugal.

[Abordagem] Para observar os efeitos de uma fusão, os autores tentaram calcular os equilíbrios de mercado antes e depois da operação, traçando também dois outros cenários alternativos: existência de concorrência ou de conluio de preços. Para tal, estimaram a curva da procura (utilizando um modelo de escolha discreta e recorrendo a uma base de dados com várias observações) e dos custos marginais de cada banco para, no fim, encontrarem os preços de equilíbrio em cada um dos cenários.

[Conclusões] Na sequência da fusão, as taxas praticadas no crédito à habitação registaria uma subida de 3,1%, ou seja, cerca de 10 pontos base. No crédito de curto prazo às PME, o agravamento das taxas seria de 7,4% ou 31 pontos base. Para além destes efeitos directos, considerados “relativamente pequenos” pelos autores, verifica-se que, após a operação de fusão, os três maiores bancos portugueses registariam um aumento de pelo menos 50% caso decidissem concertar preços. Este número representa um incentivo bastante forte para esta prática anticoncorrencial. Os remédios propostos pelo BCP na sua OPA, como a venda de algumas sucursais do BPI, teriam um efeito “negligenciável”.

[Comentário] O sector bancário português, dizem frequentemente os seus principais actores, pode vir a assistir a um processo de consolidação. Se tal não acontecer, a entrada de estrangeiros torna-se inevitável. Pelos resultados deste estudo é fácil chegar à conclusão que quem irá perder com todo este processo serão certamente os clientes.

— e.conomia.info

---

Envie o seu comentário

*
* (não será publicado)
*
  * campos de preenchimento obrigatório