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Diz-me o teu país, dir-te-ei o teu nível de violência! Evidências do mundo do futebol
11 Maio 2008

[Paper] “National Cultures and Soccer Violence”

[Autores] Edward Miguel, Sebastián M. Saiegh e Shanker Satyanath

[Publicação] NBER, Abril 2008

[Classificação JEL] K0,O57,Z1

[Palavras Chave]

(Newsletter nº034 | 19 MAI | 2008)

O facto de um jogador nascer num país com uma história de conflitos civis traduz-se num desempenho mais violento dentro das quatro linhas (medido pelo número de cartões amarelos e vermelhos que recebe). Uma conclusão que resulta da análise às sanções disciplinares em campo dos jogadores que nas épocas de 2004/2005 e 2005/2006 participaram nos campeonatos inglês, francês, alemão, italiano e espanhol e ainda na liga dos campeões europeus.

[Artigo] “Podem alguns actos de violência ser explicados pela cultura de uma sociedade?”, perguntam os autores no início deste trabalho, evidenciando de seguida que a ciência tem muita dificuldade em identificar e separar os efeitos da cultura, das instituições e da pobreza nos comportamentos violentos. Procuram a resposta no futebol europeu analisando o comportamento em campo de jogadores estrangeiros.

[Abordagem] Analisam o comportamento dos jogadores nos seis maiores campeonatos de futebol e em duas épocas. Procuram assim eliminar os efeitos das instituições (muito semelhantes entre países) e da pobreza (os jogadores profissionais de futebol na Europa ganham bem – salário médio anual supera o milhões de dólares) para captarem exclusivamente o efeito de base das raízes culturais.

[Conclusões] Quanto mais frequentes e longos os períodos de conflito civil armado num país mais violento é o desempenho dos jogadores em campo. Os resultados são válidos mesmo depois de considerar as regiões de onde vêm, os países e as equipas onde jogam, assim como as suas as posições em campo. A história do país de origem não tem impacto em nenhuma outra característica do seu desempenho (faltas não punidas com cartões, golos marcados e valor do passe).

[Comentário] Os autores evidenciam a possível profundidade com que as guerras civis podem afectar os jovens (a maioria dos jogadores estrangeiros cresce neste ambiente e só depois vêm para a Europa). Notam que os resultados devem ser lidos com cuidado: a experiência foi feita só com base em resultados em campo, entre jovens, desportista de alta competição, e homens. Uma curiosidade: o número médio de cartões por jogador em Portugal (3,2) é muito elevado: no mundo, apenas é maior no Chile, Colômbia, Canadá, Israel, Costa do Marfim, Macedónia, Mali e México.

— e.conomia.info

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  1. Artigo extremamente interessante para análise do nível de violência dos países. Só tenho uma nota: estamos claramente a partir do principio que em todos esses países e competições europeias todos os arbitros se regem pelas mesmas regras e condutas e que aplicam de forma igual e imparcial as leis de jogo. Caso contrário seria também interessante analisar e aplicar a mesma análise aos arbitros.

    — Rui · 23 Maio 2008, 13:51 · #

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