Um "novo PIB" que leva em conta os efeitos da emigração
27 Abril 2008
[Paper] “Income per natural: Measuring development as if people mattered more than places”
[Autores] Michael Clemens e Lant Pritchett
[Publicação] Center for Global Development, Março 2008
[Classificação JEL] F22, O15
[Palavras Chave]
(Newsletter nº031 | 28 ABR | 2008)
E se o que contasse nos rankings internacionais de riqueza não fosse o PIB per capita de cada Estado, mas sim o rendimento auferido por cada pessoa nascida num país independentemente de onde agora vive? As diferenças seriam significativas em alguns países e confirma que a emigração é a fórmula encontrada por muitos milhões de pessoas para fugir a um destino de pobreza no seu próprio país. O novo indicador sugerido neste estudo mostra que existe uma grande diferença entre o rendimento que auferem os residentes num país, geralmente medido pelo PIB per capita, e aquilo que ganham os naturais de um país, calculado através de um novo “rendimento por natural”. E, dessa forma, reforçar os argumentos de quem defende que a mobilidade laboral é um dos melhores instrumentos no combate à pobreza.
[Artigo] “É simples ficar a saber qual o rendimento ou a produção de uma pessoa que viva em El Salvador ou na Albânia, mas ninguém fez uma estimativa sistemática do rendimento de um típico salvadorenho ou de um albanês”, dizem os autores, explicando o seu objectivo: encontrar uma nova medida de rendimento que calcule quanto ganham, em média, os naturais de cada país, seja qual for a sua actual residência.
[Abordagem] A principal fonte de informação são os censos de 2000 nos EUA e os dados referentes ao rendimento de cada pessoa por país de origem. A partir daí, são feitas estimativas para a população residente dos outros países da OCDE e, por essa via, para a população natural dos outros países do Mundo. Os autores reconhecem que os dados disponíveis não são perfeitos, mas revelam a esperança de “caso o conceito de ‘rendimento por natural’ seja reconhecido, então mais e melhor informação pode vir a ser recolhida”.
[Conclusões] O novo indicador não deixa dúvidas quanto à forma como os naturais de alguns dos países mais pobres do Mundo conseguiram aumentar o seu rendimento através da emigração. Assim, 42,8 milhões de pessoas vivem em países onde o “rendimento por natural” é pelo menos 50% maior do que o PIB per capita, 235 milhões num país em que a diferença é superior a 20% e 1100 milhões em que a diferença supera os 10%.
[Comentário] São várias as alternativas já sugeridas ao PIB como medida da riqueza das nações. Esta nova sugestão tem o mérito de ir além do conceito de nação apenas como um espaço físico e de desafiar os Governos a alterarem as suas políticas para assim retirarem mais pessoas da pobreza.
— e.conomia.info
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