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Banqueiros centrais negam à globalização papel no controlo da inflação
24 Abril 2008

[Paper] “Globalization, macroeconomic performance and monetary policy”

[Autores] Frederic S. Mishkin

[Publicação] NBER, Abril 2008

[Classificação JEL] F52, F41

[Palavras Chave]

(Newsletter nº031 | 28 ABR | 2008)

A ideia de que na última década a globalização facilitou a vida aos banqueiros centrais na sua missão de controlar a inflação é recorrente. Mishkin, um dos membros da Reserva Federal norte-americana mais próximos de Bernanke, nega a importância desse efeito. Para ele, a inflação baixa deve-se essencialmente à arte e credibilidade dos banqueiros centrais. Reconhece, no entanto, que a globalização está a colocar alguns desafios à política monetária, nomeadamente através de uma maior sensibilidade das taxas de câmbio às taxas de juro.

[Artigo] Quais os impactos da globalização no crescimento, na inflação e na capacidade da política monetária estabilizar os preços e promover o crescimento? Muitos argumentam que foi decisiva, Mishkin relativiza.

[Abordagem] O governador da Fed analisa os vários canais pelos quais a globalização tem influenciado a inflação, o crescimento e a eficácia na transmissão da política monetária. Socorre-se de investigação própria e de vários artigos recentes de economistas de bancos centrais, OCDE e FMI.

[Conclusões] Mishkin defende que a globalização não teve um impacto directo significativo na baixa dos preços nos últimos anos. A mensagem central é que a inflação é um fenómeno exclusivamente monetário e que, portanto, depende – e continuará a depender – essencialmente das decisões dos bancos centrais. Na sua interpretação a globalização não alterou a relação entre inflação e crescimento, nem alterou a capacidade da política monetária controlar os preços face a choques externos. Reconhece contudo que a crescente integração dos mercados a nível mundial coloca desafios aos banqueiros centrais. Em especial aumentou a sensibilidade da taxas de câmbio às taxas de juro.

[Comentário] Um excelente artigo para perceber os vários canais pelos quais a globalização tem influenciado o crescimento económico e a inflação no mundo. O governador apresenta e critica os principais argumentos usados nesta discussão. Merece nota o facto de Mishkin evidenciar que a globalização aumentou a sensibilidade das taxas de câmbio às taxas de juro, algo que tem estado no centro das atenções nos últimos meses: é que as decisões da Fed de baixar juros (e do BCE de os manter) tem sido um dos factores essenciais na explicação da valorização do euro face ao dólar – na semana passada a moeda europeia passou a barreira dos 1,6 dólares.

— e.conomia.info

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