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A actual crise é o princípio do fim do dólar forte
20 Abril 2008

[Paper] “Resolving the global imbalance: the dollar and the US saving rate”

[Autores] Martin Feldstein

[Publicação] NBER, Março 2008

[Classificação JEL] F1, F3

[Palavras Chave]

(Newsletter nº030 | 21 ABR | 2008)

Feldstein está entre as vozes que vem considerando inevitável uma depreciação do dólar como mecanismo de correcção do défice externo norte-americano. Neste artigo responde aos que não partilham a mesma visão e critica os responsáveis das principais potências – e também o FMI –por resistirem a admitir que o dólar terá de desvalorizar (preferindo, por exemplo, defender a apreciação do yuan). Para Feldstein a recente desvalorização do dólar é apenas o início de um processo inevitável. A actual crise deverá ser o “trigger” para que os americanos começarem a poupar mais (e a investir menos), levando a menos importações e mais exportações, algo que será garantido por um dólar mais fraco.

[Artigo] O défice externo dos EUA tem sido alimentado pela tomada de activos norte-americanos pelas restantes economias mundiais. Até aos anos 2000, para compensar mais compras que vendas ao exterior, os EUA alienaram activos, como acções. Desde então, o consumo e investimento têm sido alimentados por dívida que foi tomada por algumas das maiores economias do mundo (e pelos respectivos bancos centrais). Esta acumulação de reservas em dólares atingirá um limite. O artigo explica a insustentabilidade do dólar forte.

[Abordagem] Feldstein passa caracteriza a forma como os EUA têm financiado o seu défice externo nos últimos anos. Explica o que tem tornado o dólar atractivo e explica porque entende que se está a chegar ao limite a partir do qual os investidores deixarão de tomar acrescentar dólares ao seu portfolio. Propõe medidas de política económica que a China, Japão e Europa terão de tomar para fazer face à valorização das suas moedas face ao dólar

[Conclusões] Os movimentos de mercado vão conduzir a uma inevitável desvalorização do dólar e uma correcção do défice externo dos EUA. A poupança nos EUA irá aumentar fruto do fim das forças que a vinham a deprimir nos últimos anos (forte crescimento da riqueza das famílias e do refinanciamento de hipotecas – que beneficiavam da valorização das casas). Por outro lado, os investimentos em dólares estão a tornar-se menos atractivos, para investidores privados e públicos. Estes dois movimentos levarão a uma depreciação do dólar, a um abrandamento das importações que os EUA fazem e a um aumento das suas exportações. Esta evolução levará a menor crescimento das restantes economias – Europa, China e Japão – que terão de compensar estes efeitos com políticas que visem melhorar a competitividade e a criação de empregos.

[Comentário] A maior crise financeira desde 1929 está a mostrar as fragilidades que a construção económica sempre implica. Já ninguém fala em crises de liquidez e a solvabilidade saltou para a linha da frente das preocupações. Com os problemas de solvabilidade vêm os mercados em baixa e os riscos de abrandamento económico. Este é até agora o diagnóstico. Feldstein vai um passo mais à frente e defende que com ela pode também vir a aceleração na correcção do défice externo norte-americano e um dólar mais barato. Se assim for, os tempos não vão ser fáceis na Europa.

— e.conomia.info

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