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Países pobres exportadores de alimentos perdem mais do que ganham com a subida de preços
20 Abril 2008

[Paper] “Implications of Higher Global Food Prices
for Poverty in Low-Income Countries”

[Autores] Maros Ivanic e Will Martin

[Publicação] Banco Mundial, Abril 2008

[Classificação JEL]

[Palavras Chave]

(Newsletter nº030 | 21 ABR | 2008)

Apesar de serem exportadores de alimentos, os países mais pobres do planeta acabam por perder com a subida dos preços deste tipo de bens nos mercados internacionais. E um dos principais efeitos é o agravamento da taxa de pobreza da população. Aquilo que os agricultores ganham com a subida de preços acaba por ser eliminado pelo custo adicional suportado pelos consumidores.

[Artigo] A subida dos preços dos alimentos nos mercados internacionais tem sido um dos fenómenos mais persistentes dos últimos anos. Desde 2005 até 2007, o preço do milho subiu 80%, o trigo 70%, o arroz 25% e o leite em pó 90%. Os preços deste tipo de bens são os que têm um impacto potencial maior precisamente nos orçamentos dos agregados familiares mais desfavorecidos dos países mais pobres. Por outro lado, pode também constituir uma vantagem para os produtores agrícolas (onde está também parte da população mais pobre) desses países. O estudo contabiliza estes efeitos.

[Abordagem] Os autores analisam a evolução do rendimento dos agregados familiares logo após a subida dos preços dos alimentos nos mercados internacionais. Fazem-no utilizando os dados estatísticos disponíveis em nove dos países mais pobres do planeta. Calculam igualmente o impacto na taxa de pobreza da população.

[Conclusões] A grande maioria dos pobres nos países em desenvolvimento são consumidores líquidos de alimentos, isto é, consomem mais do que produzem. Por isso, apesar de haver excepções em alguns países para certos tipos de bens, a subida de preços dos bens alimentares está a provocar um agravamento do nível de pobreza nas economias menos desenvolvidas do planeta.

[Comentário] Os países mais pobres do Mundo, todos situados no continente africano, têm registado resultados muito fracos no combate à pobreza, ao contrário do que aconteceu na Ásia e na América Latina durante a última década. A situação ainda pode piorar mais se, num cenário de subida de preços dos bens alimentares, os países mais desenvolvidos decidirem adiar a prometida redução dos subsídios aos seus produtores agrícolas.

— e.conomia.info

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