Ética empresarial: apenas mais uma mercadoria?
14 Abril 2008
[Paper] “Ethical Reasons for Ethical Behaviours”
[Autores] João César das Neves
[Publicação] Universidade Católica Portuguesa, Abril 2008
[Classificação JEL]
[Palavras Chave] Business Ethics, motivation, transparency, intrinsic, extrinsic
(Newsletter nº029 | 14 ABR | 2008)
Na última década a ética empresarial ganhou uma importância impar na história. As empresas assumiram o discurso e a sociedade está cada vez mais sensível ao tema. São no entanto comuns as discussões sobre um gestor está a ser ético, ou se está apenas a agir de forma ética para agradar à sociedade e aumentar os lucros. O autor não pretende responder se o mundo está mais cínico ou mais ético, mas acredita que numa sociedade marcada pela mercantilização da ética é importante distinguir entre as duas perspectivas. Por isso propõe que uma distinção teórica entre o que chama de éticas intrínseca e extrínseca.
[Artigo] A ética ganhou importância tanto nas páginas de jornais, como nos bancos das universidades e no discurso empresarial. Mas importância crescente da ética vem colocar alguns riscos: os efeitos de se tornar apenas mais uma “mercadoria”. O economista defende que a ética não pode ceder à sua mercantilização e por isso propõe distinções que permitam aprofundar o estudo da ética empresarial.
[Abordagem] Faz uma revisão da literatura sobre o tema e explora desafios. Analisa as forças e fragilidades da transparência, como exemplo de um valor fortemente associado à actual ética empresarial. Com base na sua reflexão propõe a distinção entre ética intrínseca e ética extrínseca defendendo que o estudo da ética empresarial necessita de mais ferramentas analíticas.
[Conclusões] César das Neves evidencia a distinção entre as atitudes tomadas por razões éticas (as que associa à “ética intrínseca”) e as atitudes éticas mas motivadas por razões não éticas como o aumento de lucros (as que associa à “ética extrínseca”). Inspirando-se no contributo do psicólogo Gordon Allport para o estudo da religião, o autor defende que se deveria procurar medir através de escalas e inquéritos os dois tipos de ética.
[Comentário] Se o mundo não está melhor, está pelo menos mais cínico e há de facto cada vez mais empresas a defenderem e promoverem a responsabilidade social e a ética. O autor defende contudo que, melhor que um sistema que promova resultados éticos, é um sistema que promova a ética em si como motivação intrínseca do gestor – para dela nascerem esses resultados. Reflexões sobre ética que, nos tempos que correm, muita falta estão a fazer no meio empresarial nacional.
— e.conomia.info
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