Aperto no crédito pode custar 1,5 pontos ao crescimento nos EUA
13 Abril 2008
[Paper] “Leveraged Losses: Lessons from the Mortgage Market Meltdown”
[Autores] David Greenlaw, Jan Hatzius, Anil K Kashyap e Hyun Song Shin
[Publicação] University of Chicago, Fevereiro 2008
[Classificação JEL]
[Palavras Chave]
(Newsletter nº029 | 14 ABR | 2008)
A desavalancagem de risco e o corte na oferta de crédito que a actual crise está a provocar no sistema financeiro deverá ter um impacto directo negativo situado entre um e 1,5 pontos percentuais na taxa de crescimento do PIB dos Estados Unidos. A estimativa é feita por quatro economistas num trabalho em que se estudam as características da crise financeira iniciada em Agosto do ano passado e em que se explicam os mecanismos pelos quais se processam as perdas para o sistema financeiro e os respectivos efeitos para a economia. Os autores avisam, contudo, que o cenário é ainda muito incerto.
[Artigo] O objectivo deste trabalho é o de “caracterizar e explicar a turbulência no mercado de crédito que começou a aparecer nas primeiras páginas dos jornais em Agosto de 2007”. Com o epicentro da crise localizado no mercado de activos relacionados com o crédito à habitação, os autores contabilizam as perdas potenciais deste episódio, o corte na oferta de crédito que daí pode vir a resultar e o impacto no ritmo da actividade económica.
[Abordagem] Os autores começam por fazer uma descrição dos acontecimentos nos mercados de crédito desde Agosto de 2007 até agora. Depois procuram calcular a dimensão das perdas nos mercados de crédito e distinguir quais os sectores que mais saem prejudicados. Por fim, verificam de que forma é que essas perdas se transferem depois para a actividade económica, concluindo com algumas recomendações à actuação dos bancos centrais e Governos.
[Conclusões] As perdas relacionadas com os títulos ligados ao crédito à habitação podem vir a chegar aos 400 mil milhões de euros. Perante este cenário de perda de capital, as instituições financeiras vão reduzir a sua exposição ao risco, podendo reduzir o crédito concedido a famílias, empresas e outras entidades num valor que ascende aos 910 mil milhões de euros. A consequência directa deste fenómeno é a redução da taxa anual de crescimento nos EUA num montante situado entre um e 1,5 pontos percentuais.
[Comentário] Desde o início deste ano que se sucedem as estimativas de perdas resultantes da actual crise, parecendo que a cada semana que passa os números vão ficando maiores. Este trabalho é um dos que está a ser usado como principal referência neste tipo de estimativas, mas, como reconhecem os próprios autores, os cálculos “têm de ser vistos como bastante especulativos”. A incerteza ainda impera.
— e.conomia.info
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