Portugal com efeito crowding-in no investimento público
9 Março 2008
[Paper] “Macroeconomic Rates of Return of Public and Private Investment: Crowding-in and Crowding-out Effects”
[Autores] António Afonso e Miguel St. Aubyn
[Publicação] ISEG, Janeiro 2008
[Classificação JEL] C32, E22, E62
[Palavras Chave] fiscal policy, public investment, private investment, impulse response,
vector autoregression, European Union
(Newsletter nº024 | 10 MAR | 2008)
Em Portugal, quanto maior é o investimento público, maior é o investimento privado. A análise feita a vários países industrializados neste estudo coloca a economia portuguesa entre aquelas onde não se assiste a um efeito de crowding-out no invstimento público. No entanto, a taxa de retorno total deste investimento – levando em linha de conta os efeitos produzidos ao nível do investimento privada, é negativa.
[Artigo] O investimento público produz dois tipos de efeito no investimento privado. Um efeito de crowding-out, uma vez que o investimento público exige que o Estado recorra a mais financiamento via impostos ou via mercados financeiros, dificultando a vida aos privados, ou um efeito crowding-in, já que as condições geradas pelo investimento público podem ser melhor aproveitadas pelo sector privado que assim tem mais incentivos para investir. O artigo de António Afonso e Miguel St. Aubyn tem como um dos seus principais objectivos verificar qual dos efeitos acaba por ser mais importante em cada país.
[Abordagem] São estimados Modelos autoregressivos vectoriais (VAR) para 14 países da União Europeia, mais o Canadá, o Japão e os Estados Unidos. O período de análise dos efeitos e do retorno do investimento público e privado é de 1960 a 2005.
[Conclusões] O investimento público teve um efeito de crowding-out com redução do crescimento económico em cinco dos países analisados (Bélgica, Irlanda, Canadá, Reino Unido e Holanda). Mas em oito países, incluindo Portugal, o efeito, quer na economia quer no volume de investimento privado foi positivo.
[Comentário] O facto de Portugal, durante o período em análise, ter uma economia em que a falta de infraestruturas era uma das principais razões do atraso relativamente aos seus parceiros europeus contribui decisivamente para que um acréscimo do investimento público tivesse como resultado uma subida do investimento privado. Se, nos últimos anos a situação ainda for a mesma, o corte feito no investimento público para atingir os objectivos do défice também pode ter custado valores mais significativos ao nível do investimento privado.
— e.conomia.info
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