Subsídios de desemprego aceleram mudança estrutural da economia
3 Março 2008
[Paper] “Do Unemployment Benefits Promote or Hinder Structural Change?”
[Autores] Tito Boeri e Mario Macis
[Publicação] IZA, Fevereiro 2008
[Classificação JEL] J6, J65, O15.
[Palavras Chave] unemployment benefits, job reallocation, matching models.
(Newsletter nº023 | 03 MAR | 2008)
Os subsídios de desemprego desempenham um papel fundamental na aceleração da reestruturação de uma economia. Um estudo que analisa os dados de vários países de vários pontos do Globo durante o período de 1980 a 2002 revela que a introdução de um sistema de benefícios aos desempregados tem como resultado um acréscimo do ritmo a que desaparecem empregos e, ao mesmo tempo, são criados novos. De igual modo, a velocidade a que o sector agrícola perde peso numa economia depende do modelo de apoio ao desemprego existente.
[Artigo] Os autores procuram, com base nos dados referentes a países de todo o mundo e durante um período de tempo alargado, estabelecer uma ligação entre os benefícios oferecidos às pessoas que caem numa situação de desemprego e os processos de destruição e criação de empregos, veridifando, deste modo, a influência da política no mercado de trabalho na mudança estrutural de uma economia.
[Abordagem] De acordo com os autores, este é o primeiro estudo em que se testa o papel dos subsídios de emprego na realocação dos trabalhadores através da utilização de dados referentes a vários países e períodos de tempo. Para esta análise, foram particularmente úteis os casos dos países onde o subsídio de desemprego não existia e em que os Governos decidiram introduzí-lo durante os anos 80 e 90.
[Conclusões] A introdução de um sistema de entrega de subsídio de desemprego está relacionado com o aumento de 1,5 pontos percentuais na taxa anual de variação do número de empregos destruidos. Ao mesmo tempo, o ritmo a que se assiste à realocação dos trabalhadores também regista uma melhoria de 2,7 pontos percentuais, o que significa que também há um efeito positivo na criação de emprego. O estudo demonstra também que os países onde passou a existir o subsídio de desemprego registaram uma diminuição adicional de 3% no peso do sector agrícola e um acréscimo da mesma grandeza no sector dos serviços.
[Comentário] Os resultados parecem querer indicar que os países que pretendam alterar rapidamente a sua estrutura produtiva, como Portugal, podem acelerar esse processo através da criação de redes mais fortes de apoio a quem fique desempregado.
— e.conomia.info
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