Diagnóstico e oportunidade: Lisboa pouco melhor que as piores regiões espanholas
2 Março 2008
[Paper] “Market Potential and Welfare in the Iberian Peninsula in the 1990s”
[Autores] Armando Garcia Pires
[Publicação] GEE/GPEARI, Fevereiro 2008
[Classificação JEL].
[Palavras Chave].
(Newsletter nº023 | 03 MAR | 2008)
Considerando uma divisão da península ibérica em vinte regiões, Lisboa e Vale to Tejo é a região portuguesa com maior potencial de mercado (e de crescimento) mas pontua apenas ligeiramente melhor que a Galiza, a pior região espanhola. O autor conclui que é evidente um padrão de desenvolvimento centro-periferia na Península Ibérica. Nota ainda que sendo Madrid o centro, surgem depois vários centros regionais relevantes: País Basco no Norte, Catalunha a Este, Valença e Sevilha no Sul. Fica a faltar um centro com projecção ibérica no Oeste. Uma oportunidade para Lisboa, diz.
[Artigo] São vários os trabalhos que analisam o potencial de crescimento e de desenvolvimentos das regiões europeias. Daí se concluiu, por exemplo, que o centro europeu se situa algures na intersecção da Alemanha Ocidental, do Norte de França, do Sudoeste britânico e o Norte de Itália. A periferia é, sem surpresa, ocupada por Portugal, Grécia e Espanha. Apesar do interesse que estas análises mereceram, não era conhecido nenhum estudo que seja aplicado exclusivamente à península ibérica. Este é o objectivo do artigo.
[Abordagem] Considera vinte regiões ibéricas. Cria um modelo que leva em linha de conta a distância entre as regiões e o país (e custos associados a essa distância), e estima índices de potencial de mercado e de bem-estar para cada uma das regiões. O primeiro considera o nível de desenvolvimento tecnológico e a relação entre oferta e procura. O segundo é o PIB regional deflacionado pelos respectivo índice de preços regionais.
[Conclusões] Madrid é o centro económico da península. Lisboa e Vale do Tejo é a melhor região portuguesa, mas fica muito próxima das piores espanholas. Algarve e Alentejo são as regiões de toda a península com menores potencial de mercado e nível de bem-estar, respectivamente. O desenvolvimento ibérico obedece a um padrão centro periferia, com subcentros a surgirem no Norte, Sul e Este. Falta um subcentro a Oeste, que poderá ser ocupado por Lisboa e Vale do Tejo.
[Comentário] O autor simula depois uma evolução que parece natural e em curso: um cenário onde as regiões da península estão totalmente integradas (os custos de venda são apenas função da distância, não importando se o destino é nacional ou externo). As regiões mais periféricas são as principais beneficiadas da integração, e as mais ricas perdem (apesar de muito pouco, diz o autor). Não se registam contudo alterações nas posições relativas nos rankings.
— e.conomia.info
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