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Sócrates tem menos de um ano para melhorar a confiança dos consumidores
25 Fevereiro 2008

[Paper] “Consumer confidence and elections”

[Autores] Gikas A Hardouvelis e Dimitrios Thomakos

[Publicação] CEPR, Fevereiro 2008

[Classificação JEL] D7, E6, H3

[Palavras Chave] consumer confidence, EU-15, fiscal conditions, incumbent party, macro-economy, national elections, political business cycle, USA

(Newsletter nº022 | 25 FEV | 2008)

A confiança dos consumidores europeus aumenta antes das eleições e cai depois de conhecido o vencedor. Além disso, níveis mais elevados de confiança implicam melhores resultados eleitorais, e esses níveis devem ser alcançados até sete meses antes das eleições. Estas são algumas das conclusões do estudo dos dois economistas gregos que analisaram os resultados eleitorais e a evolução da confiança dos consumidores na Europa dos 15 entre 1985 e 2007.

[Artigo] São três a principais perguntas a que os autores procuram responder. Há algum padrão no comportamento da confiança dos consumidores próximo da data das eleições? O comportamento da confiança dos consumidores é diferente quando o partido que está no poder é reeleito? Há alteração no comportamento de variáveis económicas importantes antes e depois de eleições?

[Abordagem] Usam os resultados das eleições e o indicador de confiança dos consumidores da Comissão Europeia para UE-15 nas últimas duas décadas. Analisam o comportamento país a país e o médio da UE. Para análise da UE consideram o comportamento em cada uma das 77 eleições como um evento de amostra. Fazem depois regressões dos resultados eleitorais sobre varias variáveis: a confiança dos consumidores em vários períodos no tempo, o PIB, a inflação e os juros, os gastos públicos e o nível de impostos.

[Conclusões] Na maioria dos países europeus, Portugal incluído, a confiança dos consumidores aumenta antes das eleições e corrige após as eleições. Quando o partido que está no poder ganha, os níveis de confiança dos consumidores no período entre um ano antes e um ano depois das eleições são superiores aos registados quando ele perde. A falta de uma série suficientemente longa impede uma regressão por país. A análise para a UE-15 apresenta como resultados principais: que os níveis de confiança conseguem prever a probabilidade de reeleição de um governo e este poder acrescenta ao que têm as principais variáveis macroeconómicas; que para o governo beneficiar, os níveis de confiança têm de estar elevados até sete meses antes das eleições.

[Comentário] Nas duas últimas eleições a confiança dos eleitores portugueses aumentou antes das eleições e baixou depois. Para a queda poderá ter ajudado a dramatização por José Sócrates e Durão Barroso das condições económicas em que disseram encontrar o país e o facto de ambos terem aumentado impostos contra as promessas eleitorais. Hoje, três anos após as eleições de 2005, a confiança dos consumidores portugueses está em mínimos desde 2003. O primeiro-ministro parece ter aproveitado a efeméride na semana passada para se lançar à luta pela confirmação do sucesso do seu governo. Falta, como ele mesmo referiu, cerca de um ano e meio para as eleições. No entanto, ao que a confiança dos consumidores diz respeito, José Sócrates já tem menos de um ano para tirar dividendos. O próximo orçamento, apresentado daqui a sete meses poderá ser decisivo.

— e.conomia.info

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