Qual o papel dos governadores dos bancos centrais na política monetária?
5 Fevereiro 2008
[Paper] “The FOMC versus the staff: where can monetary policymakers add value”
[Autores] Christina D. Romer e David H. Romer
[Publicação] NBER , Janeiro 2008
[Classificação JEL] E37, E52, E58
[Palavras Chave]
(Newsletter nº019 | 06 FEV | 2008)
O casal Romer aponta problemas graves à forma como o conselho de governadores da Reserva Federal nos EUA (FOMC-Fed) decide a política monetária. As previsões de inflação, desemprego e crescimento que duas vezes por ano eram publicadas pela Fed são as aprovadas pelos membros do FOMC que as alteram face aos valores que duas semanas antes recebem do seu staff. No entanto, estas alterações nada acrescentam às previsões do staff, chegando mesmo a ser piores, o que significa eu a Fed decide juros com base em previsões erradas.
[Artigo] Qual é o papel dos governadores das autoridades monetárias? Devem eles aceitar as previsões do seu staff para a evolução da economia e impactos da alteração de juros e, com base nesses valores, decidir a taxa de juro é óptima. Ou, em alternativa, deverão eles próprios acrescentar a sua visão sobre o andamento da economia, alterando os valores, e decidindo a política monetária a partir daí.
[Abordagem] Os economistas foram comparar as previsões do FOMC e as que recebem duas semanas antes do seu staff com os valores realizados entre 1979 e 2001 (as previsões do staff são apenas conhecidas cinco anos após a sua elaboração, o que limita a amostra a 2001). Depois fazem uma regressão onde as variável observadas são explicadas pelas previsões do staff e do FOMC. Finalmente, fazem outra regressão onde as decisões de alterações de juros são explicadas em parte pelas diferenças entre as previsões do FOMC e do staff.
[Conclusões] As alterações introduzidas pelos governadores são, no melhor dos casos, indiferentes. No c caso da inflação e do desemprego, concluem Romer e Romer concluem mesmo que alguém que queira prever estas variáveis se deverá afastar das previsões publicadas pela Fed. Quanto ao crescimento, o desempenho é um pouco melhor mas, ainda assim, isso não impede que os economistas escrevem: “os membros do FOMC não só falham em acrescentar informação, como no seu esforço são contraprodutivos”.
[Comentário] A discussão sobre o papel dos governadores é extensa e teve em Alan Greenspan um dos promotores máximos. O maestro não gostava de explicar as suas decisões e diz-se que se fechava horas a analisar dados e mais dados para conseguir sentir o pulso à economia. O facto de ter identificado quase antes de todos o choque de produtividade que permitiu aos aos EUA crescer sem inflação nos anos 90 parece ter-lhe dado razão. Contudo, quantos governadores serão imunes, por exemplo, a toda a pressão que a banca e os mercados de capitais colocam nas decisões da Fed?
— e.conomia.info
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