Harvard tem mais investigadores muito citados do que a França
5 Fevereiro 2008
[Paper] “The resistable decline of European science”
[Autores] Luc Bauwens, Giordano Mion e Jacques-François Thisse
[Publicação] CEPR , Janeiro 2008
[Classificação JEL] C25, I23
[Palavras Chave] citations, knowledge economics, research performance and university governance
(Newsletter nº019 | 06 FEV | 2008)
O objectivo estabelecido pela estratégia de Lisboa de aplicar 3% do PIB à investigação e desenvolvimento (I&D) não chegará para dar à Europa um papel comparável aos dos EUA no mundo da investigação. As diferenças entre as duas regiões são muito significativas: por exemplo, apenas Harvard tem mais “investigadores muito citados” do que toda a França. Os três economistas defendem que dinheiro é importante, mas não é tudo neste desafio. Em especial, destacam a importância de dominar a língua inglesa e de melhorar a gestão e o desenho institucional nos centros de investigação na Europa.
[Artigo] Os EUA contam com 66% dos investigadores mais citados do mundo (3.829) em 21 áreas de investigação. Bate a Europa em todas elas, com excepção da farmacologia. A UE17 (Zona Euro mais Noruega e Suíça) têm apenas 22% e o Reino Unido 8%. Das 25 instituições de topo, 22 estão nos EUA, duas no RU (Oxford e Cambridge) e uma na Alemanha (Max Planck Institute). Com o diagnóstico feito, os três economistas procuram explicações e soluções.
[Abordagem] Os três economistas usam uma base de dados de “investigadores muito citados” que agrega 5.790 investigadores em 21 disciplinas científicas. Escolhem os 250 mais citados entre 1981 e 1999 em cada uma delas. Fazem depois uma regressão onde a produção académica depende do investimento em I&D, do capital humano e de três outros factores: PIB per capita, domínio de inglês e laços coloniais com o Reino Unido (proxy para modelo anglo-saxónico de organização).
[Conclusões] Um aumento para 3% do PIB comunitário em I&D garantiria apenas à Europa um aumento na fatia de investigadores mais citados dos actuais 22% para 28%, o que compara com os 60% dos EUA. Para poder comparar com os EUA, a Europa precisa de melhorar o inglês e a eficiência da gestão das universidades, aproximando-as do modelo anglo-saxónico. Inglês como língua obrigatória nas universidades, maior capacidade de contratação de investigadores, salários mais ligados ao desempenho académico e concentração de recursos em centros de investigação de maior dimensão são algumas das propostas.
[Comentário] Lisboa empresta o seu nome a um projecto que os políticos europeus continuam a afirmar, mas que cada vez mais não passa de uma miragem (ver entrevista).
Os dados analisados mostram a distância que a Europa está dos EUA e evidenciam que, para o sucesso, a organização é tanto ou mais importante que o dinheiro. No centro do problema encontram a própria Comissão Europeia e a generalizada falta de avaliação de desempenho e de indexação de salários à produção académica.
— e.conomia.info
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