O que deve mudar nos sistemas de regulação internacionais
21 Janeiro 2008
[Paper] “Lessons from the 2007 financial crisis”
[Autores] Willem H. Buiter
[Publicação] CEPR, Dezembro 2007
[Classificação JEL] D52, D53, E32, E44, E58, F37, G21, G24, G28
[Palavras Chave] collateral, financial stability, leverage, liquidity, rating agencies, regulation, securitization
(Newsletter nº017 | 21 JAN | 2008)
A cooperação entre as autoridades nacionais e supranacionais é fundamental para evitar que se produza uma corrida até ao fundo no sistema regulatório internacional, defende Willem Buiter na análise às consequências da crise financeira internacional. Centrando-se no caso britânico, o autor assinala que nos últimos anos a desregulação e a auto-regulação ganharam demasiada importância, contribuindo decisivamente para situações como as ocorridas no Northern Rock. O esforço de alteração deste cenário tem, no entanto, de ser feito com cuidado para não se correr o risco de fuga de capitais para países menos exigentes.
[Artigo] Este estudo tem como objectivo encontrar as falhas no sistema financeiro das grandes potências mundiais que permitiram a ocorrência da crise financeira iniciada em Agosto de 2007. O caso inglês é analisado em maior profundidade, assim como o papel das agências de rating internacionais.
[Abordagem] Willem Buiter enuncia as causas do deflagrar da crise financeira internacional e analisa o comportamento dos bancos centrais nos Estados Unidos, Zona Euro e Reino Unido antes e durante a turbulência nos mercados. Em relação ao caso britânico são identificadas 13 lições que se podem extrair daquilo que aconteceu na City londrina.
[Conclusões] O sistema financeiro britânico foi o que viu a sua credibilidade mais afectada durante a crise iniciada no Verão do ano passado e, por isso, necessita de realizar muitas mudanças no seu sistema regulatório, tornando-o mais exigente. O problema, defende o autor, é que se corre o risco de uma fuga dos capitais para ambientes em que se aposte num sistema mais desregulado. Entre as lições que Buiter diz que é preciso tirar está, no Reino Unido, a necessidade de juntar na mesma entidade as funções de supervisão e os meios financeiros para socorrer instituições em dificuldades e, no Mundo, uma maior cooperação entre as autoridades nacionais e supranacionais de regulação. Ainda assim, apesar das importantes lições a reter, para Buiter, que escreveu o artigo no início do passado mês de Dezembro, esta crise até pode não se revelar mais do que “um abrandamento ciclico moderado”.
[Comentário] A necessidade de alterar os sistemas regulatórios a nível internacional é uma das lições da actual crise. No entanto, como também salienta o autor, “quando todas as lições relevantes tiverem sido compreendidas e todas as recomendações implementadas, ainda não teremos um sistema em que os bancos nunca falhem ou em que instabilidade sistémica não possa dominar”.
— e.conomia.info
Envie o seu comentário
← Filmes violentos no cinema baixam violência real
→ Quais as consequências dos impostos?


