Reduzir a dívida pública só com crescimento e cortes na função pública e nos apoios sociais
10 Outubro 2010
[Paper] “MAJOR PUBLIC DEBT REDUCTIONS LESSONS FROM THE PAST, LESSONS FOR THE FUTURE”
[Autores] Christiane Nickel, Philipp Rother e Lilli Zimmermann
[Publicação] BCE, Setembro 2010
[Classificação JEL] C35, E62, H6
[Palavras Chave] Fiscal policy, public debt, binary choice models
(Newsletter nº144 | 11 OUT | 2010)
Uma redução sustentável de grande dimensão da dívida pública leva tempo, e só é possível com crescimento económico e com cortes nas despesas com pessoal da função pública e com apoios sociais. Esta é uma das principais conclusões de um artigo publicado na semana passada no Banco Central Europeu (BCE) onde são analisados vários episódios de reduções de dívida pública na UE entre 1985 e 2009.
[Artigo] A recessão dos últimos anos e os apoios públicos à economia e à banca levaram ao disparo dos défices orçamentais e da dívida pública na Europa. Esta é uma situação que os políticos consideram insustentável, havendo a intenção de iniciar um processo de redução do endividamento e défice públicos. Os três economistas olham para os últimos trinta anos, analisam vários episódios de redução da despesa pública na UE-15, e identificam as estratégias que foram usadas com sucesso.
[Abordagem] Num primeiro passo analisam dimensão e duração de episódios de redução de dívida pública. Num segundo passo criam um modelo para avaliar que factores ditaram o sucesso da consolidação nos vários países.
[Conclusões] As grandes reduções de dívida pública só foram conseguidas através de esforços prolongados no tempo de redução da despesa publica, com enfoque nos gastos com pessoal e com apoios sociais. As consolidações orçamentais com base na receita tenderam a ser pior sucedidas. Crescimento elevado é outro dos factores centrais para o sucesso da redução da divida pública. Finalmente, taxas de juro elevadas tendem a funcionar como um factor disciplinador do desempenho orçamental.
[Comentário] Os resultados deste artigo permitem, por um lado, perceber o tipo de pensamento orçamental que vai dentro do BCE. Por outro, faz crer que os próximos anos serão de grande contenção – e até cortes – nos gastos com funcionários públicos e com apoios sociais. Esse será pelo menos o conselho dado aos governos. Ainda para mais quando se antecipa um período de crescimento baixo.
— e.conomia.info
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Associar crescimento à dívida pública é algo que me deixa sempre de pé atrás … porque ganhamos mais vamos gastar mais … na minha vida particular não é assim, mas na política infelizmente é tudo de extremos.
— Fluxo de Caixa · 11 Fevereiro 2011, 20:04 · #