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Salários reais caem 1% por cada aumento de 10% na taxa de desemprego
6 September 2010

[Paper] “Price and wage formation in Portugal”

[Autores] Carlos Robalo Marques, Fernando Martins, Pedro Portugal
[Publicação] BCE, Julho 2010

[Classificação JEL] C42, D40, E31, J30.

[Palavras Chave] Survey data, wage and price rigidities, persistence, wage cushion

(Newsletter nº142 | 6 SET | 2010)

Em Portugal, um aumento de 10% na taxa de desemprego leva a uma queda de 1% nos salários reais, escrevem os três economistas do Banco de Portugal neste artigo que analisa o ponto de situação em termos de comportamentos de preços e salários. Em termos de comportamento de preços das empresas, os resultados mostram que os preços em Portugal são mais flexíveis que na Zona Euro (embora menos que nos EUA). Do ponto de vista do mercado de trabalho, os três especialistas da área do trabalho evidenciam que “apesar da existência de salários mínimos, da presença de limites salariais e da utilização de mecanismo de extensão, as empresas retêm alguma capacidade de contornar os acordos colectivos através do mecanismo colchão salarial”, lê-se no artigo.

[Artigo] Qual é afinal o comportamento dos preços e dos salários em Portugal? As empresas conseguem adaptar preços e salários às novas condições económicas? Estão os trabalhadores (excessivamente) protegidos em termos de flexibilidade salarial? Estas são algumas das perguntas a que os autores procuram responder.

[Abordagem] Começam por caracterizar as principais características em termos de práticas de estabelecimento de preços e de salários através da análise da inflação no consumo e na produção e de inquéritos a empresas. Analisam depois a a formação dos salários usando técnicas econométricas. Finalmente estudam a dinâmica de preços e salários em reacção a choques na economia.

[Conclusões] As empresas portuguesas apresentam uma flexibilidade na alteração de preços superior à média europeia. Gozam também de alguma flexibilidade salarial: para isso contam com a diferença entre o salário efectivo e o salário acordado em negociação colectiva (colchão salarial). Este mecanismo permite-lhes contornar o impacto da existência de salários mínimos, por exemplo. Avisam, contudo, que esta flexibilidade tem vindo a diminuir no tempo, o que associam ao contexto de baixa inflação que surgiu com a moeda única. Alguns dados relevantes: os preços em Portugal mudam em média um cada cinco preços muda todos os meses e a duração mediana de um preço é de 8,5 meses (10,6 meses na Zona Euro e de 4,6 meses na Zona Euro). Já a duração média dos salários é de 13 meses (menos dois meses na Zona Euro) e sua flexibilidade é relativamente elevada e sensível ao ciclo económico.

[Comentário] Afinal há mais flexibilidade de preços e salários do que normalmente parece ser assumido. A conclusão é especialmente forte por surgir num artigo de três investigadores do Banco de Portugal, uma instituição conhecida por favorecer a flexibilidade salarial e laboral.

— e.conomia.info

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