Mercado interbancário é o mais perigoso – receitas de politica anticrise
12 Julho 2010
[Paper] “Proliferation of risk and policy responses in the EU financial markets”
[Autores] Lucjan T. Orlowski
[Publicação] Comissão Europeia, Julho 2010
[Classificação JEL] E44, G01.
[Palavras Chave] tail risk, systemic risk, financial crisis, EU Member States
(Newsletter nº 140 | 12 JUL | 2010)
O mercado interbancário incorpora riscos extremos (“tail risks”) superiores existentes nos mercados accionistas e cambial. A probabilidade de problemas que desencadeiem um ajustamento financeiro bruto com congelamento dos mercados de crédito foi elevada durante toda a crise mas, mesmo antes de esta iniciar, já era alta na generalidade dos países analisados. No grupo composto por sete grandes economias europeias e pelos EUA, os países com maior risco nas taxas de juro interbancárias são a Hungria, a Polónia e os EUA. O autor defende várias medidas de política, sempre centradas numa lógica de “flexibilidade e pró-ciclicidade”. Entre elas estão os rácios de capital contra cíclicos e a introdução de capital contingencial. Propõem mais regulação nos mercados de derivados.
[Artigo] Olhando para trás importa perceber quais eram afinal os riscos a que as economias europeias e norte-americana estavam sujeitos. Só assim será possível desenhar políticas que mitiguem a repetição de uma crise como a actual. Para isso, o investigador da Universidade do Sagrado Coração nos EUA analisa sete economias europeias – dentro e fora da Zona Euro – e os EUA. Propõe medidas de política económica.
[Abordagem] O autor analisa sete grandes economias europeias (República Checa, França, Alemanha, Hungria, Polónia, Suécia e Reino Unido) e os EUA. Através de modelos econométricos analisa a distribuição e volatilidade dos erros estimados para as várias financeiras consideradas para cada dos mercados (taxas de juro interbancárias, taxa de câmbio contra o euro e mercados accionistas).
[Conclusões] Hungria, Polónia e EUA são países mais sujeitos a riscos extremos no mercado interbancário. Republica Checa, Polónia e Reino Unido lideram a tabela em termos de riscos externos do mercado accionista. Os novos países da EU são os mais vulneráveis aos riscos cambiais da moeda única. O economista defende que a política monetária deve antecipar e inclinar-se contra bolhas de crédito em formação, e que as exigências de capital dos bancos devem ser superiores em tempos de crescimento para poderem ser reduzidos em tempos de crise (promovendo assim a cedência de crédito à economia). Defende ainda as exigências de capital sejam contingentes, ou seja, que existam dívidas que, quando a situação piora, passem automaticamente a capital próprio, reforçando o balanço dos bancos. Em termos de regulação defende que todas as operações de derivados complexos passem a ser sujeitas a um sistema de liquidação centralizado.
[Comentário] As regras para os mercados de derivados e as novas regras de capital da banca serão os temas mais fortes no desenho do sistema financeiro internacional pós-crise. Ainda há demasiadas incertezas para saber qual será o resultado final dos dois lados de Atlânticos. As propostas de Orlowski vão ao encontro do tipo de medidas consideradas necessárias pela maioria dos economistas.
— e.conomia.info
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