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Lições do passado tramaram os governos
4 Julho 2010

[Paper] “Resolution of Banking Crises: The Good, the Bad, and the Ugly”

[Autores] Luc Laeven e Fabian Valencia

[Publicação] FMI, Junho 2010

[Classificação JEL] E50; E60; G20

[Palavras Chave] banking crisis; government intervention; crisis resolution; macroeconomic policy

(Newsletter nº139 | 5 JUL | 2010)

Na gestão da actual crise, os decisores políticos socorreram-se de lições de passado para evitar uma “grande depressão”. Para isso usaram os seus orçamentos como não haviam feito em crises bancárias sistémicas anteriores. Os resultados foram bem sucedidos mas, desta opção, resultaram grandes desequilíbrios orçamentais (além de muito capital garantido), que estão agora a criar desconfiança sobre a solvabilidade financeira de alguns países. Em certa medida os governos estão agora a ser vítimas das lições do passado. Os autores concluem também que os custos económicos e orçamentais aumentaram nos episódios associados à actual crise, o que reflecte em parte o aumento do sector financeiro e o facto de terem afectado também economias desenvolvidas.

[Artigo] Quais as semelhanças e diferenças entre a actual crise bancária e as anteriores? Os autores procuram responder a esta pergunta através da análise de “uma nova base de dados de crises sistémicas bancárias para o período 1970-2009”.

[Abordagem] O artigo do FMI apresenta uma nova base de dados de crises bancárias sistémicas entre 1970 e 2009, que inclui por isso vários episódios que resultaram já da actual crise. Com base nesta informação analisam a evolução das respostas de política e os respectivos impactos orçamentais, económicos e financeiros.

[Conclusões] O “abstract” do artigo resume bem as conclusões: “Havendo muitos pontos em comum entre a recente crise e as crises do passado, tanto em termos de causas como de respostas de política, há algumas importantes diferenças em termos de escala e abrangência das intervenções. Os custos orçamentais directos de suporte ao sector financeiro foram mais pequenos desta vez, como consequência de respostas rápidas de política, de utilização generalizada de garantias e assunção de passivos, e de compras de activos. Enquanto estas políticas reduziram o impacto real da actual crise, aumentaram também o fardo da dívida pública e a dimensão das responsabilidades contigentes dos governos, aumentando as preocupações sobre a sustentabilidade em alguns países”.

[Comentário] Nas lições de combate a crises que passarão para o futuro estará muito provavelmente uma maior ponderação “a priori” da capacidade dos Estados aguentarem a pressão dos mercados face ao agravamento das condições orçamentais.

— e.conomia.info

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