Empresas onde predomina o salário mínimo vão mais facilmente à falência
15 Março 2010
[Paper] “WAGES AND THE RISK OF DISPLACEMENT”
[Autores] Anabela Carneiro e Pedro Portugal
[Publicação] BCE, Março 2010
[Classificação JEL] J31; J65
[Palavras Chave] wages; displacement risk; concessions
(Newsletter nº124 | 15 MAR | 2010)
As empresas com maior predominância de salários mínimos enfrentam maiores probabilidades de falência. O resultado diz respeito a Portugal e é encontrado por Anabela Carneiro e Pedro Portugal dois economistas portugueses (Faculdade de Economia do Porto e Banco de Portugal, respectivamente) num artigo publicado no Banco Central Europeu. A ideia é que, em caso de choques de procura, quanto maior o peso de trabalhadores com salário mínimo, maior o risco de falência, pois as empresas têm menos margem para ajustamento de custos laborais e de negociação com trabalhadores.
[Artigo] Qual é o ajustamento salarial nas empresas quando confrontadas com choques externos de procura que coloquem em causa a sobrevivência das empresas? E em que medida é que os salários são determinantes para a probabilidade de falência? Estas são as duas perguntas a que Anabela Carneiro e Pedro Portugal procuram responder.
[Abordagem] Usam dados dos Quadros de Pessoal do Ministério do Trabalho onde é possível obter infirmação sobre cada trabalhador e cada empresa em Portugal. Centram-se em 1994, 1995 e 1996, ficando com informação sobre cerca de 36 mil trabalhadores que perderam o emprego devido a fecho de empresas nesse período. Desenvolvem um modelo de equações simultâneas que contempla a possibilidade de fecho de empresas e de ajustamentos salariais. Estimam resultados através do método de variáveis instrumentais.
[Conclusões] O risco de desemprego afecta negativamente os salários, isto é, em momentos de crise, tende a haver margem de negociação entre empresas e trabalhadores que conduz a um ajustamento de salários. Uma duplicação do risco de falência faz baixar os salários em 6%. Por outro lado, empresas com predominância de salários mínimos enfrentam maiores probabilidades de falência, por terem menos margem de ajustamento. Os economistas dizem ainda que, apesar de com impacto modesto, parece haver uma relação que dita que empresas com salários mais elevados também vão mais à falência.
[Comentário] Os resultados encontrados pelos dois economistas servem para suportar dois argumentos. Os mais liberais e que se opõem ao salário mínimo argumentarão que a sua existência é um factor de destruição de emprego. Os defensores do SMN apontarão que as empresas não devem funcionar com salários tão baixos pois a sua capacidade de resistência e adaptação a crises é menor.
— e.conomia.info
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