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Pelo menos metade do aumento do “spread” das obrigações portuguesas é explicado pela fraca situação orçamental
28 Fevereiro 2010

[Paper]GOVERNMENT BOND RISK PREMIUMS
IN THE EU REVISITED THE IMPACT OF THE FINANCIAL CRISIS

[Autores] Ludger Schuknecht, Jürgen von Hagen e Guido Wolswijk

[Publicação] BCE, Fevereiro 2010

[Classificação JEL] E43, E62, H63, H74

[Palavras Chave] interest rates, fiscal policy, government debt, crisis, risk aversion, safe haven

(Newsletter nº122 | 01 MAR | 2010)

Especialmente após a falência da Lehman Brothers, os mercados financeiros passaram a diferenciar as obrigações de Estados-membros com melhor e pior saúde financeira (nos primeiros dez anos de euro, os spreads face à Alemanha foram mínimos e pouco diferentes). Portugal está entre os prejudicados: “Para a Grécia, Irlanda e Portugal, o relativamente fraco desempenho orçamental explica quase ou mais de metade do aumento dos “spreads” [face à yield alemã] durante a crise”, escrevem os três economistas, entre eles Jurgen von Hagen.

[Artigo] São já vários os artigos que avisam para uma possível nova ordem financeira relativa aos “spreads” das obrigações. Os economistas analisam o desempenho das “yields” e dos “spreads” dos títulos de dívida pública europeus face aos “benchmarks” alemão e norte-americano.

[Abordagem] Usam dados de obrigações soberanas europeias desde 1991 até Maio de 2009, analisam com detalhe os períodos Agosto de 2007 até Agosto de 2008 e entre Setembro de 2008 (mês da falência da Lehman) e Maio de 2009. Usam um modelo de valorização de obrigações.

[Conclusões] Mesmo durante a crise os “spreads” das obrigações continuaram a ser relativamente bem explicados pelos fundamentais económicos; depois da falência da Lehman Brothers os mercados passaram a penalizar mais os países com má situação orçamental; sentiu-se também um efeito global de aumento de aversão ao risco; finalmente, no período pós-Lehman as obrigações alemãs ganharam o estatuto de activo refúgio, distinção que que até aí só era concedida às obrigações dos EUA.

[Comentário] O mundo financeiro pode estar a mudar as exigências que faz aos países mais fracos. Os autores lembram que, nas obrigações municipais norte-americanas, a diferenciação efectiva das obrigações de Estados com boas e más finanças públicas só aconteceu (e assim permaneceu) após a crise orçamental de Nova Iorque em 1975. A Grécia pode ser a Nova Iorque europeia.

— e.conomia.info

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