No FMI defende-se que países emergentes adoptem medidas de controlo de capitais
21 Fevereiro 2010
[Paper] “Capital Inflows: The Role of Controls”
[Autores] Jonathan D. Ostry, Atish R. Ghosh, Karl Habermeier, Marcos Chamon, Mahvash S. Qureshi e Dennis B.S. Reinhardt
[Publicação] FMI, Fevereiro 2010
[Classificação JEL] F21, F32
[Palavras Chave] capital inflows, capital controls, financial crisis
(Newsletter nº121 | 22 FEV | 2010)
Algo está a mudar no FMI. Na semana passada destacámos o artigo em que Olivier Blanchard, o economista-chefe da instituição, defendeu que os governos optem por objectivos de inflação mais elevados que 2% ou que os países tenham Estados maiores – ou pelo menos preparados para crescerem em tempos de crise. Esta semana, as novidades surpreendentes vindas de Washington continuam e, num artigo publicado esta sexta-feira, vários economistas do Fundo defendem que as economias emergentes introduzam controlos à mobilidade de capitais. Apesar de continuarem a defender os benefícios da liberdade de circulação de capitais, os economistas reconhecem que com a crise muitas das economias emergentes foram afectadas por fluxos – ora de saída, no início da crise, ora de entrada, mais recentemente – que, pela sua dimensão e volatilidade podem ser prejudiciais. Defendem por isso que, em certos casos, devem ser implementadas políticas de controlo de capitais as quais, no entanto, devem aprovadas no âmbito de negociações multilaterais, de forma a não gerarem um escalar de proteccionismo.
[Artigo] Os autores explicam os seus objectivos logo na introdução: “As preocupações que os investidores privados possam ser sujeitos a comportamentos de rebanho e que sofram de optimismo excessivo estão a aumentar; e mesmo quando os fluxos são saudáveis, é reconhecido que estes possam contribuir para danos colaterais, como bolhas e booms e afundanços dos preços dos activos. A questão é por isso saber qual é a melhor forma de lidar com as entradas de capitais que possam colocar desafios quer prudenciais, quer de política macroeconómica”
[Abordagem] Analisam o que se passou nos mercados financeiros durante a crise, assim como algumas experiências do passado em países que adoptaram controlos de capitais. Procuram estabelecer o conjunto de condições em que o controlo de capitais é desejável, e propõem receitas de política económica.
[Conclusões] Uma conclusão central dos economistas do FMI é que “se uma economia estiver a funcionar perto do seu potencial, se os níveis de reservas forem adequados, se a taxa de câmbio não estiver subavaliada, e se os fluxos forem provavelmente transitórios, então a aplicação de controlos de capitais – em cima de políticas prudenciais e macroeconómicas – é justificada”. A acrescentam que essas medidas são justificadas mesmo que não sejam totalmente eficazes já que, pelo menos, poderão ser “uma areia na engrenagem” dos investidores.
[Comentário] Os dois artigos publicados no espaço de uma semana mostram que alguma coisa está a mudar no FMI. Convém contudo ter presente que em muitas das receitas que o FMI está neste momento aplicar a países emergentes em dificuldades declacam as prescrições do passado. A Letónia, cuja situação destacámos na semana passada, é um dos casos.
— e.conomia.info
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