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As receitas “mainstream” da politica económica estão a mudar… até no FMI
17 Fevereiro 2010

[Paper] “Rethinking Macroeconomic Policy”

[Autores] Olivier Blanchard, Giovanni Dell’Ariccia, e Paolo Mauro

[Publicação] FMI, Fevereiro 2010

[Classificação JEL] E44, E52, E58, G38, H50

[Palavras Chave] Macroeconomic policy, macroprudential regulation, inflation targets, automatic stabilizers

(Newsletter nº120 | 17 FEV | 2010)

Não tardará o debate sobre se são propostas ambiciosas ou se, antes, são uma forma de mascarar as políticas antigas. Em qualquer dos casos, o artigo publicado esta semana no FMI pelo seu economista-chefe Olivier Blanchard é mais um sinal do forte impacto que a actual crise terá no pensamento e na teoria económica. Blanchard defende que a taxa de inflação óptima é de 4% e não de 2% como até agora assumido pela maioria dos bancos centrais, nomeadamente o BCE; que o tamanho dos Estados tem de ser maior – ou pelo menos estar preparado para ser maior – para que existam melhores estabilizadores automáticos; que os bancos centrais têm de encontrar novos instrumentos para a missão que até agora recusaram assumir: combater bolhas especulativas; que os governos devem estar preparados para complementar o sistema financeiro na cedência de liquidez. Estas são algumas das propostas apresentadas por Blanchard, as quais procuram manter o essencial dos “grandes” objectivos de política económica pré-crise, mas que nascem do reconhecimento de que são precisas profundas alterações na forma como a política económica foi conduzida na maioria dos países nas últimas duas décadas.

[Artigo] A maioria dos economistas considerava que a grande moderação económica dos últimos vinte anos mostrava que se tinha atingido um ponto excelente no conhecimento da política económica. A actual crise veio mostrar quão longe estavam da verdade. O antigo consenso ruiu. Blanchard tenta contribuir para o seguinte, lembrando, no entanto, que a maioria dos grandes objectivos se mantém intacta.

[Abordagem] Blanchard e dois dos economistas que coordena no FMI analisam primeiro os princípios que governavam o pensamento macroeconómico “mainstream” até à crise. Elencam depois algumas das lições da crise. Finalmente, apresentam um conjunto de alterações que consideram necessárias.

[Conclusões] A actual crise mostra que os economistas “mainstream“não tinham a economia tão controlada como acreditavam. Quase três anos depois do início, o economista-chefe do conservador FMI vem dizer isso mesmo e propõe várias alterações. Entre elas estão objectivos de inflação mais elevados, bancos centrais mais activos no controlo de bolhas especulativas, maior disciplina orçamental, e Estados maiores – ou pelo menos mais preparados para actuarem em casos de crises.

[Comentário] Sobre a proposta de aumento da inflação Paul Krugman escreveu no seu blogue: “não estou surpreendido que o Olivier pense assim; estou no entanto, algo surpreendido que o FMI o deixe dizer isso sob os seus auspícios”

— e.conomia.info

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