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Bernanke esteve bem, mas poderia ter ido mais longe
31 Janeiro 2010

[Paper] “INTERPRETING THE UNCONVENTIONAL U.S. MONETARY POLICY OF 2007-09”

[Autores] Ricardo Reis

[Publicação] CEPR, Janeiro 2010

[Classificação JEL] E31, E42, E50 e E61

[Palavras Chave] financial crisis, liquidity, liquidity trap and price-level determination

(Newsletter nº118 | 1 FEV | 2010)

As opções da Reserva Federal norte-americana desde que a crise rebentou em 2007 estão em linha com o previsto pela teoria económica, embora, em alguns casos, o conhecimento teórico apontasse para alguns desvios face às opções de Ben Bernanke. Quem o diz é Ricardo Reis, professor português na Universidade de Columbia em Nova Iorque que, num artigo publicado recentemente no CEPR, analisa os dois anos de actuação da Fed. Cauteloso nas interpretações, Reis apoia a opção de colocar a taxa de juro próxima de zero, mas defende que Bernanke já deveria ter anunciado que pretende ter, a médio prazo, um nível de inflação superior à média nos EUA. Em relação aos instrumentos de política monetária não convencional, o economista diz que a Fed poderá ter disparado em demasiadas direcções.

[Artigo] Ben Bernanke inicia hoje o seu segundo mandato. Reis publicou há poucos dias no CEPR um artigo em que faz uma análise sintética ao desempenho da Fed na resposta à crise nos últimos dois anos. Será que as respostas foram as correctas face à teoria existente?

[Abordagem] O artigo analisa três grupos de políticas adoptadas pela Reserva Federal: a política de taxas de juro num contexto de armadilha de liquidez; a política quantitativa, ou seja, o aumento do balanço da Fed do lado das suas responsabilidades (reservas e moeda); e a política de crédito, ou seja, a gestão dos activos que a Fed somou ao seu balanço durante a crise. Compara as opções de política com a teoria conhecida e modelos desenvolvidos pelo autor.

[Conclusões] Em relação à taxa de juro, Reis defende que as opções foram no sentido correcto, embora a teoria aconselhe a que a Reserva Federal já tivesse anunciado a intenção apontar para uma taxa de juro acima da média no médio-prazo, assim como de manter a taxa de juro baixa mesmo depois da recuperação chegar. Em relação à política quantitativa, o economista avisa para os perigos do banco central vir a perder a sua independência, face aos riscos que assumiu. Quanto aos activos tomados pela Fed, Reis diz que a Fed pode ter disparado em demasiadas direcções, mas salienta que, dado o pouco estudo que existe nesta matéria, é difícil criticar as opções de Ben Bernanke.

[Comentário] Reis deixa uma reflexão que revela bem a forma como a realidade ultrapassou a teoria na actual crise: “Como é quase sempre o caso quando um académico escreve sobre opções de política, o tom e o espírito desta interpretação são baseados na premissa de que a teoria vai à frente da prática. Os eventos dos últimos dois anos foram um exercício de humildade nessa matéria, dando a lição a académicos como eu de que temos de estar menos confiantes sobre essa premissa do que é normal”.

— e.conomia.info

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