Novas exigências aos bancos para evitar excessos que conduziram à crise
22 Novembro 2009
[Paper] “The role of macroprudential policy”
[Autores] Banco de Inglaterra
[Publicação] Bank of England, Novembro 2009
[Classificação JEL]
[Palavras Chave]
(Newsletter nº110 | 23 NOV | 2009)
Os economistas do Banco de Inglaterra procuram contribuir para o debate sobre o que será o grande desafio da regulação financeira no mundo pós-crise: a criação de um sistema de macroregulação – complementar à regulação individual das instituições financeiras – o qual visará combater a acumulação de risco sistémico no sistema financeiro (uma das principais causas da violência da actual crise). Para isso, propõem um sistema de exigências adicionais nos rácios de capital dos bancos o qual seria indexado ao ciclo de crédito. Estas exigências de capital somariam às já existentes ao nível microprudencial. Propõem ainda um outro mecanismo mas que seria indexado, não as condições económicas, mas ao perfil de risco de cada instituição: aos bancos maiores, com operações mais complexas e com um número maior de relações com outros bancos seriam exigidos rácios de capital superiores.
[Artigo] “A política macroprudencial é um ingrediente que falta no actual enquadramento de política. Nas últimas décadas, houve um “gap” demasiado grande entre a política macroeconómica e a regulação de instituições financeiras individuais. Se a política macroprudencial tivesse sido capaz de aumentar a resistência do sistema e moderar a exuberância na oferta de crédito à economia, e especialmente ao sistema financeiro, a crise teria sido muito menos cara”, analisam os especialistas do banco central que, neste artigo, propõem respostas para o que esteve em falta.
[Abordagem] Propõem dois mecanismos que combatam as fontes de risco sistémico: o “risco agregado”, que nasce da tendência das instituições financeiras de se exporem a demasiado riscos nas fases altas do ciclo de crédito, tornando-se depois demasiado avessas ao risco nas fase baixas; e o “risco de rede”, que resulta da “insuficiente” incorporação por cada instituição do risco que as suas acções provocam nas restantes. Salientam que o artigo não defende nenhuma forma em particular de implementação mas visa antes contribuir para o debate sobre este tema.
[Conclusões] Os rácios de capital adicionais indexados ao ciclo económico funcionam como um sistema de seguro sistémico, além de contribuírem para restringir comportamentos exuberantes na concessão de crédito, defende o Banco de Inglaterra, que acrescenta que a sua proposta tem ainda outra vantagem: nas fases baixas do ciclo, as exigências de capital também diminuiriam, o que incentivaria os bancos a emprestar, reduzindo assim a probabilidade de uma contracção geral na concessão de crédito como a que vimos nesta crise. Quanto à proposta de rácios adaptados ao perfil de cada instituição, os economistas do banco consideram que tal reduziria o risco de falência de cada uma delas (e dos impactos negativos nas restantes), contribuindo assim para a redução do risco total.
[Comentário] Os autores não “atacam” directamente duas das questões que mais têm preocupado os economistas: como lidar com instituições que são demasiado grandes para falir e como evitar ou combater bolhas especulativas. Deixam contudo implícito que as suas propostas combateriam ambas as preocupações. Os rácios de capital indexados ao ciclo seriam um travão a bolhas especulativas, enquanto os rácios crescentes com dimensão e complexidade das instituição seriam penalizadoras de bancos demasiado grandes.
— e.conomia.info
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