Portugal com reduzida indexação dos salários ao valor da inflação
16 Novembro 2009
[Paper] “Downward Nominal and Real Wage Rigidity: Survey Evidence from European Firms”
[Autores] Jan Babecký, Philip Du Caju, Theodora Kosma, Martina Lawless, Julián Messina e Tairi Rõõm
[Publicação] BCE, Novembro 2009
[Classificação JEL] J30, J31, J32, C81, P5
[Palavras Chave] downward nominal wage rigidity, downward real wage rigidity, wage indexation, survey data, European Union
(Newsletter nº109 | 16 NOV | 2009)
Portugal é um dos países da zona euro em que menos empresas indexam os aumentos salariais nominais à inflação verificada ou prevista, um sinal de reduzida rigidez na descida dos salários em termos reais. Já a rigidez nominal é mais alta que a média europeia, que por sua vez ultrapassa largamente a dos EUA.
[Artigo] As empresas querem baixar os salários, em termos nominais ou reais, mas não conseguem? Este estudo analisa a questão na zona euro, com dados para 14 países.
[Abordagem] Utilizando um inquérito realizado entre 2007 e 2008 em 14 países da zona euro, os autores analisam a rigidez na descida dos salários. A incidência da rigidez nominal é calculada observando o número de empresas que, nos últimos cinco anos, realizaram pelo menos um congelamento de salários. A rigidez real é considerada quando uma empresa revala o hábito de indexar os aumentos salariais ao valor da inflação passada ou esperada. São ainda analisadas as estratégias adoptadas pelas empresas para compensar a existência de rigidez nos salários.
[Conclusões] A rigidez nominal e real na descida dos salários é maior na zona euro do que nos EUA ou Reino Unido. A incidência de rigidez nominal é de 8,2% e a real de 20,1%. Em Portugal, a incidência é de 15% e 9%, respectivamente. Os países onde as negociações colectivas são mais importantes são aqueles em que a rigidez é maior. Outras características que contribuem para uma maior rigidez são a importância do sector trabalho intensivo e uma maior duração dos contratos de trabalho.
[Comentário] A questão da rigidez na descida dos salários torna-se mais importante para as empresas, abordada neste estudo, está agora, com a queda da taxa de inflação para valores negativos, ainda mais no centro das preocupações.
— e.conomia.info
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