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A crise como o reflexo da globalização do mercado de trabalho
18 Outubro 2009

[Paper] “Why are we in a Recession? The Financial Crisis is the Sympton not the Disease!”

[Autores] Ravi Jagannathan, Mudit Kapoor e Ernst Schaumburg

[Publicação] NBER, Outubro 2009

[Classificação JEL] E0,E00,E2,E3,G0,G00,G01,G2.

[Palavras Chave]

(Newsletter nº105 | 19 OUT | 2009)

A crise financeira é um sintoma de um problema profundo e não resolvido na economia mundial: o aumento sem precedentes da mão-de-obra disponível no mundo criado pela globalização. Com ele veio um crescimento significativo do rendimento nos países emergentes. Sem capacidade para gastar esse rendimento em consumo e investimento internos, estes países voltaram-se para o exterior. Esta é causa dos desequilibrios globais e da entrada de muito dinheiro no mundo ocidental nos últimos anos que acabou por gerar pressões excessivas nos respectivos sistemas financeiros. Este problema fundamental não está resolvido, dizem os economistas, que avisam que, por isso, a resolução dos actuais problemas no sistema financeiro não evitará futuras crises.

[Artigo] Existe uma força fundamental a guiar toda a crise nas suas várias vertentes (desequilíbrios globais, crédito fácil, pressão para flexibilização da regulação)? Sim: a globalização e o aumento de mão-de-obra disponível nos países emergentes.

[Abordagem] Analisam toda a crise financeira (mercado residencial, mercado financeiro, regulação, etc..) à luz do impacto gerado pela alteração nos fluxos de capital entre países.

[Conclusões] O excesso de poupança nas economias emergentes, o crédito fácil, a regulação mais ligeira e a crise financeira estão ligadas por uma força comum: a entrada de milhões de pessoas em países como a China e Índia no mercado de trabalho global. Como estes países não têm mercados financeiros nem protecção contratual adequada para absorver esses rendimentos, o resultado foi uma entrada brutal de dinheiro fácil e barato nas economias ocidentais. O futuro depende do aumento da poupança nos países desenvolvidos e de um crescimento dos fluxos de capital para os países em desenvolvimento.

[Comentário] Nos últimos meses a resolução dos desequilibrios globais tem sido colocada na agenda internacional como elemento central de prevenção de futuras crises. Os EUA têm liderado o debate, mas têm também dado um dos sinais que mais têm preocupado: a desvalorização do dólar que contribuiu para a correcção dos desequilibrios globais mas que pode matar a recuperação europeia.

— e.conomia.info

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