Mais imigrantes ajudam a melhorar o défice externo português
12 Outubro 2009
[Paper] “Immigration-Trade Links: the Impact of Recent Immigration on Portuguese Trade”
[Autores] Horácio C. Faustino e João Peixoto
[Publicação] ISEG, Outubro 2009
[Classificação JEL] C33, F11, F12, F22.
[Palavras Chave] Immigration; trade; skills; entrepreneurship; panel data; Portugal
(Newsletter nº104 | 12 OUT | 2009)
Os imigrantes dinamizam o comércio internacional português, tendo um efeito positivo mais forte nas exportações nacionais do que nas importações. Este resultado é baseado na análise da imigração e dos dados de comércio externo na última década, concluem Horácio Faustino e João Peixoto do ISEG. “As consequências em termos de política de imigração e de política económica são claras”, afirmam os economistas, especificando: “a emigração traz efeitos benéficos à economia portuguesa em termos de comércio internacional. Estes impactos são reforçados quando consideramos duas características: as qualificações e o empreendedorismo na indústria”. E, por isso, os dois economistas defendem que “políticas de imigração que facilitem a admissão de imigrantes, favoreçam a sua formação e promovam o empreendedorismo são benéficas para Portugal” em termos de défice externo.
[Artigo] Há vários estudos que estudam a relação entre a imigração e o comércio externo em algumas das economias do mundo conhecidas como receptoras tradicionais de imigrantes (EUA, Canadá, países do Norte da Europa, Austrália). Os autores fazem pela primeira vez o estudo para Portugal, considerando o impacto da imigração, da imigração de mão-de-obra altamente qualificada na indústria e do empreendedorismo entre os imigrantes no comércio externo nacional.
[Abordagem] Os dois economistas consideram dados de emigração e comércio externo com os 38 parceiros comerciais mais relevantes. Aqui incluem-se os 27 Estados-membros da União Europeia e os cinco países africanos de língua portuguesa (PALOP). Estes dois blocos representam 83% das trocas de mercadorias e 89% do stock de emigrantes em Portugal. Os restantes países são os EUA, os BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), a Moldávia e a Ucrânia. Estudam, através de regressões em modelos gravitacionais, o impacto do “stock” de cidadãos estrangeiros no país (e das suas características) nas trocas comerciais nacionais nos últimos dez anos.
[Conclusões] Um crescimento de 10% no “stock” de imigrantes gera um aumento de 2,8% nas exportações e de 2,66% nas importações. Este aumento gera também um aumento de 1,87% no índice de comércio intra-sectorial (CIS), de 4,01% no de comércio intra-sectorial horizontal (CISH) e de 1,48% no de comércio intra-sectorial vertical (CISV). Além disso, maiores números de imigrantes altamente qualificados na indústria e de empregradores estrangeiros tem impactos positivos nas exportações, no CISH e no CISV. Outras características dos imigrantes, como o sexo, nível educacional ou tipo de contrato de trabalho não parecem ter impacto no comércio bilateral.
[Comentário] Entre os políticos que se mostram mais preocupados com o défice comercial e com o nível de endividamento nacional ouvem-se muitas vezes referências a outras preocupações, nomeadamente com as políticas de imigração e a excessiva abertura e permissividade no acolhimento de imigrantes. Este estudo do ISEG estabelece pela primeira vez uma relação positiva entre o número de imigrantes e o saldo externo.
— e.conomia.info
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