Arte é, afinal, um mau investimento
12 Outubro 2009
[Paper] “BUYING BEAUTY: ON PRICES AND RETURNS IN THE ART MARKET”
[Autores] Luc Renneboog e Christophe Spaenjers
[Publicação] Universidade de Tilburg
, apresentação na Universidade Católica em Outubro 2009
[Classificação JEL] G1, Z11
[Palavras Chave] Art investments; Art market; Art returns; Auction prices; Hedonic regressions; Long-term bond returns; Long-term stock returns; Masterpiece effect
(Newsletter nº104 | 12 OUT | 2009)
Nos últimos 25 anos o retorno médio anual do investimento em obras arte foi inferior ao oferecido quer pelo mercado accionista, quer pelo obrigacionista. Esta é uma das principais conclusões de um artigo apresentado na semana passada na Universidade Católica por dois economistas holandeses que, por isso, escrevem: “os compradores de arte deverão esperar obter outros benefícios que não os financeiros, especialmente porque os modestos retornos oferecidos são ainda mais diminuídos pelos custos de transacção”.
[Artigo] Desde os anos 60 que a arte vem sendo apresentada como um potencial bom investimento. Mas será que é mesmo assim? Os autores fazem uma análise ao desempenho de longo prazo deste segmento em termos de preços e retornos. Tentam captar os vários factores que podem influenciar o valor de uma obra.
[Abordagem] Criam uma base de dados de 10.000 artistas e resultados de mais de 1,1 milhões de leilões que incluem pintura, trabalhos sobre papel e gravuras registados desde meio do século passado. Fazem regressões para identificar os vários factores que podem influenciar o valor de uma obra como a reputação do artista, a sua importância, o tema da obra, o meio utilizado, o movimento artístico em que se insere, entre outros.
[Conclusões] Entre 1951 e 2007 o mercado de arte apenas apreciou, em média, 4,03% em termos reais (valores em dólares). Defendem que a ideia de arte como investimento nos últimos anos é justificada por um “boom” registado entre 2002 e 2007, onde se verificou um ganho médio anual de cerca de 11%. No entanto, no longo prazo, a arte ofereceu menos retorno que as acções e conseguiu bater as obrigações, mas à custa de maior risco. Entre 1982 e 2007, o investimento em arte foi menos rentável mesmo comparando com as obrigações. Realçam que nos últimos 25 anos o preço de quadros a óleo e os da arte do pós-guerra valorizaram mais que a média do mercado; e encontram um efeito positivo sobre o preço nas obras-primas, revelando que arte de alta qualidade é um melhor investimento (auto-retratos e cenas urbanas também parecem oferecer um prémio positivo).
[Comentário] Um dos argumentos mais vezes usados a favor do mercado de arte é o de que pode ser um investimento alternativo, permitindo uma maior diversificação do risco. Este pode ser um argumento falacioso, uma vez que as bolhas no mercado de arte parecem coincidir com as dos mercados financeiros. É o que está a acontecer nesta crise. Isto não quer dizer que para os conhecedores do mercado não existam oportunidades. Por um lado, as grandes obras tendem a recompensar e, por outro, há tendências que podem ser aproveitadas, como tem acontecido nos últimos anos com a arte chinesa, que beneficia e deverá continuar a beneficiar do “boom” da economia asiática.
— e.conomia.info
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